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«The Night Comes for Us» por Jorge Pereira

The Night Comes for Us é a nova proposta de ação da Netflix que volta a reunir a energética dupla de The Raid, Joe Taslim e Iko Uwais, como ex-amigos em rota de colisão numa história de tríades, amizades e muita pancadaria e tiros que fazem certamente Takashi Miike corar/rejubilar pela quantidade de situações escabrosas em cena.

Esqueçam a tensão ou os códigos de horror ou do filme de cerco de The Raid. The Night Comes for Us tem profundo toque de Hong Kong nos tiroteios, nas cenas de luta de artes marciais, com influências estilísticas pós Merantau/The Raid/Killers e tiques escabrosos made in Guinea Pig quando se entretém a matar os intervenientes em cena.

Esperem mortos a tiro, à facada, com catanas, machetes e até ossos de animais cravados no peito. Aguardem por mortos por atropelamento, rasgados pelo vidro, por chapas metálicas, paus de madeira e muito mais (ver imagem acima), tudo com um toque elaborado onde não falta por vezes o humor (muito negro). E não se amedrontem ao ver serras cortarem pernas, explosões e estrangulamentos. A certo ponto, parece que o realizador e argumentista indonésio Timo Tjahjanto parece querer fazer um manual de 1001 maneiras de matar alguém através de pancada e consegue-o de forma tão razoável como macabra...

É um festival de "biqueirada", socos e tudo mais que começa depois de Ito (Taslim) recusar matar uma criança num massacre a uma aldeia. Ao invés, ele vai assassinar os homens com quem trabalhava e que pertencem a um sindicato do crime. Depois disso, é só ver os lutadores chegarem ao ringue, todos prontos para o matar, com o palco a estar espalhado por todo o lado.

E embora as duas horas do filme sejam demasiadas para tudo o que vemos, o realizador energeticamente nunca deixa os fãs de cinema de ação e gore entediados, carimbando um trabalho meticuloso nas coreografias e imprimindo no visual um estilo que por vezes se assemelha aos videojogos (tal o splatter estilizado visto), mas que nunca deixa de parecer extremamente real (e doloroso).

E há outro detalhe curioso, para os tempos que vivemos. Se pensam que este é um filme de machos a lutarem contra outros, esqueçam essa ideia. Grande parte da graça, charme e do tal realismo advém de sequências inteiras de pancadaria entre mulheres - com a Hammer Girl (Julie Estelle) de The Raid 2 em destaque - fortemente estilizadas, mas longe da imagem mais sexy que durona.

Uma nota para o trabalho na cinematografia de Gunnar Nimpuno (Killers), a forma como usa o widescreen, o jeito com que satura as cores berrantes (rosas, amarelos, vermelhos nos clubes noturnos), como trabalha o contraste e certos truques cinematográficos, como quando vemos Ito em modo de câmara subjectiva, com o dispositivo de gravação colocado atrás de si ao alto (nas costas), dando uma visão dele a lutar mano a mano e a perspectiva de tudo o que lhe está pela frente. O resultado é impressionante.


Jorge Pereira



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