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«Operation Finale» (Operação Final) por Jorge Pereira

Dentro deste Operation Finale (Operação Final) existe um potencial grande filme, mas ele envolveria apenas as personagens interpretadas por Oscar Isaac e Ben Kingsley num confronto psicológico a portas fechadas, um pouco como A Noite da Vingança (1994) de Polanski que colocava frente a frente Kingsley e Sigourney Weaver, com a segunda a atormentar o primeiro por acreditar que anos atrás ele a tinha torturado.

Mas tirando esses momentos de tensão, diálogo nas entrelinhas e psicologia que envolvem os atores referidos, ou algum mistério, ponderação e ideologia da personagem interpretada por Mélanie Laurent, Operation Finale é, infelizmente, um trabalho superficial, apressado e tremendamente unidimensional no seu jeito formal e redutor.

E num filme que desejava contar "a emocionante missão secreta do agente do Mossad, Peter Malkin (Oscar Isaac), quando se infiltra na Argentina, em 1960, e captura Adolf Eichmann (Ben Kingsley), o oficial nazi que planeou a logística de transporte que levou milhões de inocentes para a morte em campos de concentração", estranha-se a real ausência de tensão, isto numa história da qual sabemos o fim.

Teria assim de vir de dentro das personagens, das suas ambiguidades, contrastes, ideias e debates -internos e externos - o verdadeiro conflito da narrativa. Porém, esse conflito só surge com Isaac e Kingsley em cena, sendo todos os outros momentos uma espécie de reencenação quase didática e ligeira onde os dois lados do conflito, nazis e judeus, são reduzidos a figuras de cartão, a lugares comuns, ao preto e ao branco, aos bons e aos maus.

E espanta ainda mais como Chris Weitz, que ainda recentemente filmou Columbus, não conseguiu - tirando raríssimos momentos - pegar no pobre argumento de Matthew Orton, que sem sombra de dúvidas é o pior de tudo o que se viu por aqui, e dar outra dimensão para além do filme testemunho genérico e descartável. Leiam antes Eichmann in My Hands, o livro-memória de Peter Malkin.


Jorge Pereira



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