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«Bleach» por Hugo Gomes

Até podemos acusar os americanos (e o seu dito whitewashing), mas os japoneses não têm feito melhor em matéria de adaptações de Mangas, que em terras nipónicas assume-se como o equivalente do cinema de super-heróis abundante lá para os lados de Hollywood. Não com isto tornar este Bleach no pedestal das criminalidades cometidas neste subgénero do subgénero, até porque não está sozinho, assim como não será o último da vaga.

Enquanto Takashi Miike gerava híbridos entre a sua introspeção cinemática com os maneirismos manga em Blade of the Immortal (curiosamente, dois dos atores, Hana Sugisaki e Sôta Fukushi, são os protagonistas deste Bleach) e o seu anterior mais popular, Ichi The Killer [Koroshiya 1], ou até mesmo o sushi fusão de Hirokazu Koreeda (com Air Doll e Our Little Sister, tentaria contagiar este imaginário com a sua autoridade enquanto autor), eis que regressamos ao anonimato industrial com a simples idiossincrasia. Eis a enésima translação das características que tornam as Mangas em linguagens únicas e no Cinema, um indigesto sentimento de estranheza.

Inspirado na criação de Kubo Tito, que por sua vez deu origem a uma popularíssima série de Anime, Bleach é uma história de fantasmas, não levados para o território evidente do J-horror, mas da “pureza” do embrião do cinema de super-heróis. Sôta Fukushi é Ichigo Kurosaki, um jovem com a capacidade de ver os mortos (e com antecedentes trágicos) que após um encontro com uma ceifadora de almas (Sugikasi) transforma-se ele próprio num ceifador. Recheado de efeitos visuais, com os nipónicos a demonstrar que não ficam para trás na espetacularidade de Hollywood, mas chegando aos calcanhares na sua tendência catastrófica de estapafúrdio, Bleach é um amontoado de referências e fan-service que substitui o trabalho com as personagens e a supostamente sólida conceção do enredo. A juntar a isto, intervenções musicais desnecessárias o seu quê de bacoquismo e portas entreabertas para continuação.

É cinema veloz e furioso para consumir … somente consumir sem qualquer degustação.

Hugo Gomes



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