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«Cartas Para um Ladrão de Livros» por André Gonçalves

A história do "bom ladrão" ganha aqui um retrato verdadeiro, documental - o "herói" da película é Laéssio Rodrigues, o maior ladrão de livros raros no Brasil, preso já várias vezes, por furto destas obras em bibliotecas e museus.  

Em Cartas Para um Ladrão de Livros o espectador é convidado a ler as cartas trocadas entre o criminoso e o jornalista e realizador Carlos Juliano Barros, e pelo meio, toda uma trajetória que possa de certo modo revelar o ser humano que se esconde por detrás do marginal. Não se trata de pintar em tons bicolores um retrato: conforme é também dito nesta transação entre Carlos e Laéssio, o objetivo não é transformar o ladrão em vítima; e esta é uma tarefa particularmente árdua para um trabalhador dos media, que diariamente é seduzido pela proposta de sensacionalizar "casos de polícia". 

Filme-reportagem ainda assim, não conseguindo escapar às matrizes clássicas do género, Cartas vai valendo, como toda a boa reportagem, pelo seu sujeito: um homem que desde cedo sempre achou que devia ter o seu lugar carvado no mundo; a história de uma "diva" que começou também com a veneração de outra diva (Carmen Miranda). Um homem literado que é capaz de dizer frontalmente no autocarro quantas vezes já esteve preso, e mostrar ordem de libertação, que colecionará como colecionou capas de revista de Carmen Miranda. Simultaneamente uma vítima e um abusador do sistema, com um perfil psicológico narcisista não muito longe da personagem do Professor da série La Casa de Papel.

Eventualmente, nota-se que até uma hora e meia possa ser mais que o tempo ideal para estarmos assim reféns de um depoimento que acaba por se ir repetindo a partir de certo ponto. Mas não é tempo perdido.  

André Gonçalves



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