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«The Happytime Murders» (Pela Hora da Morte) por Hugo Gomes

Embrulhado numa intriga rotineira de buddy cop movie no seio de Los Angeles, The Happytime Murders soa como provocação de um legado (não confundir com repudia) por parte do seu “maestro” Brian Henson. O realizador, para além de ter dirigido algumas aventuras cinematográficas dos The Muppets (Os Marretas), é filho do lendário Jim Henson, o criador, ou diríamos antes, pai desse mesmo universo e responsável pela infância de muitos dos nossos leitores.

Este dito Rua Sésamo travestido não é de conceito novo - brincar à bonecada numa panóplia de temáticas adultas é quase arcaico - mas transladar as figuras “hensoniadas”, protótipos de personagens marcantes no seio das marionetas / marretas, é um verdadeiro cravo na ferradura, mesmo que o embarque inicial seja a crítica social. Tendo em vista essa mesmo pedagogia, um mundo alternativo onde humanos e “marretas” coexistem, não igualmente, indicia algumas alusões à nossa cadeia de “hierarquias sociais” (ponto que suscita os mais variados ideais discriminatórios, colonialistas e racistas).

O discriminado, os “bonecos de trapos” que tentam se reafirmar numa sociedade dominada por Homens, são objetos num certo mapa psicológico da América (mas isso até o infame Bright de David Ayer orquestrava perante os seus alicerces de fábula). Todavia, não se apeguem a estes laivos de astucia ocasional (o clímax final é demasiado perverso para originar tais “psicanalises”, ou pode até mesmo deitar abaixo qualquer iniciativa de igualdade). The Happytime Murders parte do pressuposto que os marretas conseguem ser motivos de repreensão - eles praguejam, eles fornicam e sobretudo são cercados pelos vícios humanos. Todo este rol leva-nos à verdadeira medula do trabalho de Brian Henson: “Olha só o que faço com as tuas criações quando não estás a ver.

Porém, como comédia, mesmo saltando a previsibilidade de um fórmula entristecida (aliás, esta é uma desventura que se vê com o agrado da técnica e do “know how” das situações), o filme ostenta aqui um punhado de piadas sólidas e reforçadas por um humor inteligente e sem papas na língua. Porém, convém salientar, The Happytime Murders é somente novidade para a vista. Nada mais que isso.

Hugo Gomes



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