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«Mamma Mia! Here We Go Again» por Raquel Soares

A insistência de Hollywood em ressuscitar filmes dos confins da nossa memória como uma preguiçosa e garantida maneira de ganhar uma pequena fortuna está a passar do cansado. Filas de desnecessárias sequelas, remakes, reboots e franchises foram despachados para cima da mesa, seguradas apenas pelo sobrevalor dada à nostalgia e ao poder da famosa “referência”.

Nada de diferente do padrão era esperado pelo Mamma Mia: Here We Go Again, uma sequela passado 10 anos de um filme que deixou muito poucas perguntas por responder, noutras palavras, eis uma continuação que ninguém pediu. Mas mesmo assim, esta sequela /prequela do Mamma Mia foi enchendo salas com fãs quer do primeiro filme, quer dos Abba que confiavam numa tarde bem passada.

No arranque, este parece ter realmente algum propósito para lá de encher os bolsos de uns executivos anônimos de Hollywood. As ilhas gregas continuam lindíssimas, vistas pelos filtros cinematográficos, e algo nesta narrativa alegre e utópica fazia esquecer do caráter de produto do filme. Lily James ilumina o ecrã com a sua presença cativante que capta credivelmente a essência de uma Donna jovem (ou de uma Meryl Streep jovem), as suas pequenas aventuras enquanto tentava encontrar o seu lugar e conhecia os três “pais” resultam no ponto alto desta aventura.

A narrativa do “presente” com a Amanda Seyfried parece quase desmaiada comparada com a linha do passado. Mesmo assim, durante os momentos iniciais este adquire o seu peso e relevância. Honrar a memória dos que amamos não só pode ser um tema com substância como poderia representar num bom paralelo à memória do filme “original”. No entanto, à medida que a narrativa avança, o presente parece ter cada vez menos para dizer, recorrendo assim a clichês esperadíssimos e uma Cher colada ao guião devido ao seu valor como “celebridade”. A história se revela gradualmente nua.

Assim, quando passamos as superficiais purpurinas: os momentos reconfortantes, os números musicais sempre bem-vindos e as bonitas paisagens, Mamma Mia tem pouco para oferecer a nível narrativo ou de peso cinematográfico. Sendo com certeza uma tarde bem passada, mas um reflexo do que poderia ter sido alcançado com um bocadinho mais de esforço.

Raquel Soares



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