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«Un sac de billes» (Os Meninos que Enganavam os Nazis) por Jorge Pereira

Tem o seu quê de refrescante esta segunda adaptação ao Cinema do livro autobiográfico de Joseph Joffo, Un sac de billes (Os Meninos que Enganavam os Nazis), publicado em 1973, embora o realizador canadiano Christian Duguay, que sucede a Jacques Doillon, cujo filme data de 1975, caia frequentemente num melodramatismo de puxar a lágrima fácil, isto com o forte auxílio da cinematografia melancólica de Christophe Graillot e da banda-sonora de índole trágica de Armand Amar.

A história de dois meninos judeus afastados dos pais que tem de atravessar França para os reencontrar, tendo frequentemente de escapar à perseguição dos nazis, cai por diversas vezes nos lugares comuns do género e na bidimensionalidade de todas as personagens secundárias, mas é ao mesmo tempo rejuvenescedora no seu jeito sensível de apresentar os pequenos a serem forçados a chegar à idade adulta por causa de uma guerra terrível.

E é nos dois pequenos, Dorian Le Clech e Batyste Fleurial, que o filme mostra o que de melhor tem em si, no seu relacionamento, cumplicidade, ingenuidade e perseverança. O problema é que Duguay - mesmo dando uma nova força à figura paternal e escolhendo a Steadicam para acompanhar e procurar uma maior proximidade aos sentimentos e perigos que afetam os jovens - cai por diversas vezes no cinema espectáculo da manipulação emocional (veja-se a estilização visual dos reencontros familiares), sem que isso tenha verdadeiramente uma melhoria em relação ao livro e ao filme de 1975.

Esta tem sido, aliás, uma tendência do cinema francófono quando aborda a questão judia no território. As Crianças de Paris ou A Viagem de Fanny parecem construídos mais para passarem mensagens, moralidades, e imporem o choro na audiência, do que realmente serem objetos artísticos viscerais, incisivos e crus que retratem fielmente o drama vivido e toda a extensão da tragédia que se abateu na vida das pessoas afetadas pelo nazismo.


Jorge Pereira



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