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«Bright» por Jorge Pereira

Marginalidade e violência sempre estiveram casados no Cinema de Ayer, o qual é conhecido por filmes onde a dureza das forças da lei leva-os muitas vezes a ultrapassar os limites e ao mundo das ilegalidades (basta lembrar os guiões Dia de Treino, Azul Escuro ou Fim de Turno). Tudo embalado num tom visceral e cru, algo que foi sempre a sua assinatura autoral desde os tempos do seu primeiro Tempos Cruéis.

A isto acrescente-se o seu constante fascínio por figuras renegadas, como as que vimos em Reis de Rua, Sabotagem, Fúria, e, claro, Esquadrão Suicida. Foi aliás a este último que Ayer foi buscar Will Smith para este Bright, uma incursão fantasista por um mundo mágico e oculto, sem nunca abandonar os tiques do seu Cinema, onde se inclui ainda uma linguagem cinematográfica entre o videoclipe e o videojogo, com uma espetacularidade visual mais Zack Snyder que Michael Bay.

Seria fácil por isso, e bastante preguiçoso do nosso lado, dizer que este mundo de Humanos, Orcs, Elfos, Senhores das Trevas, Várinhas Mágicas, "Brights" e cultos obscuros (os Inferni, uma espécie de Illuminati 2.0) mostram a bagunça tremenda que é o argumento desta produção Netflix, mas não caiam num erro de paralaxe simplista: Bright tem muita coisa interessante para ver no meio dos seus abundantes tiros no escuro, redundâncias e personagens pouco exploradas.

Desde logo o seu tom jocoso e despreocupado "camp", que nunca leva ação muito a sério, com um Will Smith a fazer regressar o seu humor "cool", uma vilã estilosa, sombria e implacável (Noomi Rapace), uma metafórica temática política e social do culto da diferença (na figura de um Orc em particular e dos Orcs, em geral - em espírito há por aqui dedo de Neill Blompkamp) e uma Elfo que parece ser um cruzamento da Leloo do Quinto Elemento e do Legolas de Senhor dos Anéis.

No final, o resultado é uma nova franquia, quer queiram, quer não. Ayer não cria nada de novo, mas qual DJ, qual quê, pega em velhos temas, e personagens, mistura tudo num "set" de quase duas horas e cimenta todo um novo mundo para além do realismo orgânico e das relações pessoais de homens (e Orcs) que têm de mostrar o seu valor e confiar uns nos outros com a sua própria vida.


Jorge Pereira



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