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«What Happened to Monday?» (Sete Irmãs) por Jorge Pereira

Depois dos zombies em Os Mortos-Vivos Nazis, e dos caçadores de bruxas Hansel & Gretel, o norueguês Tommy Wirkola embarca numa série B inconstante mas curiosa, onde, em 2073, a sobrepopulação global e a escassez de recursos leva ao controlo da natalidade, ficando o mundo obrigado à politica de um filho por casal.

É neste Universo  que Terrence (Willem Dafoe) decide proteger 7 netas (todas interpretadas por Noomi Rapace) que ficam entregues a si após a mãe delas morrer no parto. Cada uma delas tem o nome de um dia da semana, e tudo vai complicar-se quando a “segunda-feira” desaparece.

O cinema de Wirkola namorisca frequentemente com a linguagem do videojogo, ou se preferirmos, com o cinema de ação pós-Matrix à la Zack Snyder, onde os slow-motions “MTV”, os ecrãs verdes “This Is Sparta”, e uma ação que se desenrola num passar de níveis, multiplica-se em oposição à profundidade das personagens. Assim, criando filmes visualmente e sonoramente impactantes, atmosfericamente negros repletos de referências e elementos kitsch, mas com uma inanidade substancial nos protagonistas e das ideias políticas e sociais em discussão.

Quando tudo isto é acompanhado de mais um modelo tirânico de sociedade oprimida a fervilhar pela revolta, o resultado só pode ser um: Sete Irmãs é um entretenimento escapista previsível com boas doses de humor, ação frenética (para o orçamento que tem), questões metafísicas de algibeira perfeitas para conversas de copos, e heróis rasos com frases delineadas que servem para a ocasião mas não sobrevivem no tempo.

A verdade é que a tirania e os heróis ou anti-heróis que a combatem vendem como nunca (Marvel, DC, distopias juvenis). Em tempos de Trump, Coreia do Norte, Venezuela, abusos da NSA, do Capitalismo selvagem, regressa-se aos idos tempos com uma nostalgia bárbara típica de uma sociedade que olha para trás com melancolia. Sete Irmãs consegue isso, mas podia ser tão melhor e mesmo um filme com potencial de culto.

Daqui a uns anos será apenas a obra onde Noomi Rapace, a eterna Lisbeth Salander, interpretou 7 papéis quasi “Orphan Black.

Jorge Pereira



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