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«Ce qui nous lie» (Aquilo que Nos Liga) por Jorge Pereira

Ocasionalmente, o cinema francês faz incursões pelo campo a dentro para estudar o legado das suas explorações vinícolas. Este Ce qui nous lie (Aquilo que Nos Liga) é o mais recente caso de estudo, um filme onde Cédric Klapisch conta a história de um trio de irmãos que tem de lidar com a morte do pai, a herança e as memórias que ele deixou.

Estes três há muito tempo não se viam (em conjunto), especialmente por «culpa» de Jean (Pio Marmai), que há dez anos saiu do local e fez família e negócio na Austrália, regressando a casa com a sua relação no estrangeiro tremida. Quem ficou junto ao pai e a trabalhar na herdade foi Juliette (Ana Girardot), uma mulher insegura que trabalha num negócio regido essencialmente por homens, e Jérèmie (François Civil), preso a um casamento onde frequentemente é pressionado pelo sogro, um explorador vinícola rival.

Mais próximo de Premier crus, de Jérôme Le Maire, do que de Saint Amour, de Benoît Delépine e Gustave Kervern, Ce qui nous lie explora o peso do legado e das origens, as recordações e arrependimentos do passado, bem como a realidade dos tempos modernos que colocaram entre a espada e a parede muitas destas explorações.

Klapish, eternamente conhecido pela trilogia A Residência Espanhola|As Bonecas Russas|Puzzle Chinês, abandona assim a sua zona de conforto, a cidade, para entrar por paisagens bucólicas, estonteantes (que ele não se cansa de filmar) e relações complicadas entre irmãos cuja ligação é a herdade que agora lhes será entregue se forem pagas todas as taxas ao estado que estão estabelecidas na lei.

Perito em mostrar uma França simpática e romântica, o cineasta usa todo o tipo de artifícios para levar a água ao seu moinho, como flashbacks pastelões, split-screens, planos picados, de conjunto, gerais (com recurso a drones), uma banda-sonora melancólica a cargo dos habitués na sua cinematografia Kraked Unit (com Camélia Jordana na voz) e uma mensagem que ainda pica o ponto na ecologia, no feminismo e no poder das relações fraternais numa sociedade capitalista sufocante para os negócios tradicionais.

Tudo demasiado académico, certinho, bonitinho, meloso. Tudo extremamente previsível no enredo e nas emoções. 


Jorge Pereira



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