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«Loving Vincent» (A Paixão de Van Gogh» por Jorge Pereira

O filme chama-se A Paixão de Van Gogh, mas na verdade o que assistimos no grande ecrã é à paixão de Dorota Kobiela e Hugh Welchman, os realizadores que, conjuntamente com mais de 100 artistas, compuseram um trabalho com mais de 65 mil frames pintados a óleo que levaram 6 anos a concretizar.

Esta gímnica de filme inteiramente pintado a óleo (nada cansativa para a vista) é o maior trunfo de uma obra onde o duo não podia escapar muito em termos de liberdade criativa, até porque se baseiam nos trabalhos do pintor, nos enquadramentos que este dava às suas peças, na sua correspondência, para contar a sua história na forma de um thriller policial onde se questiona a verdade sobre os seus últimos dias.

No centro da investigação está Armand Roulin, filho de um carteiro que quer entregar a última carta que Van Gogh escreveu antes de tirar a vida a si próprio. Para isso ele parte para uma pequena localidade que serviu de «túmulo» para o pintor, uma figura enigmática e nublada, não só pela pressão familiar devido ao seu fracasso na época, mas também por estar envolvido em alguns subrenredos que em nenhuma altura lhe tiraram o foco da pintura, a sua verdadeira paixão ou obstinação. 

Suicídio, ou terá sido outra a história em torno da morte do artista? É esta a questão que o filme faz, mas não é só isso que tem para mostrar.

Sempre fiel visualmente ao espírito das suas pinturas, vagueando entre a cor e o preto e branco (numa separação entre o tempo presente e um passado em jeito de flashbacks) de clara influência do Cinema Noir, tudo é um regalo para os nossos sentidos, uma poesia visual que no entanto nunca encontra paralelo no seu enredo e diálogos, por vezes demaasiado simples e sem conseguirem transmitir a ambiguidade da alma tortuosa de um artista que só depois de morto viu a sua obra ser reconhecida.

Sim, é um filme excecionalmente belo, uma verdadeira carta de amor ao pintor, mas demasiado formatado e esquemático na sua componente policial, que assaz vezes cai num sensasionalismo estereótipado na apresentação das personagens e das suas visões sobre os acontecimento.

Se vale a pena ver? Sim, mas esperava-se um pouco mais de chama no guião para acompanhar a extravagante viagem visual a que nos submetemos.


Jorge Pereira



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