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«Petit Paysan» por Jorge Pereira

Ver a história de um homem de trinta e poucos anos que é criador de vacas leiteiras e terá de lidar com uma epidemia que ameaça dizimar todo o seu rendimento, não é propriamente o programa noturno que qualquer cinéfilo sonhe, mas quando tudo é transformado num thriller psicológico de primeiro nível, num estudo de relações familiares e de dependências matriarcais, e na morte de uma ruralidade romantizada (ai, a vida do campo é que é), estamos perante argumentos mais que suficientes para dizer que este Petit Paysan é um dos Ovnis cinematográficos mais curiosos e interessantes do ano.

A culpa desse interesse é quase totalmente do seu realizador e argumentista, Hubert Charuel, mais um produto da La Fémis, que durante os 90 minutos de duração da obra nos deixa inquietos com o destino da exploração agro-pecuária e do seu protagonista, um soberbo Swann Arlaud na pele de um homem preso na engrenagem de uma vida rural que não lhe oferece grandes alternativas, e que aos poucos se vai transformando numa espécie de psicótico à medida que os problemas surgem - não faltando mesmo imagens trabalhadas pelo realizador e diretor de fotografia onde ele é quase colado a um vilão do terror para adolescentes (veja-se a cena no celeiro, ele com uma marreta na mão).

Fascina a segurança do realizador em mostrar a destruição do Mundo do protagonista, enquanto paralelamente se faz uma reflexão sobre as fragilidades da vida campestre e dos apoios a esta. E tudo isto sem nunca cair no exagero caricatural, ou no drama chorão miserabilista.

Com isto, Charuel consegue um primeiro filme absolutamente pungente e que augura um grande futuro na realização.


Jorge Pereira



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