Menu
RSS

 



«Le Fils de Jean» por Hugo Gomes

Philippe Lioret abandona por momentos a sua veia mais intimista e social para folhear as páginas do romance de Jean-Paul Dubois, Si ce livre pouvait me rapprocher de toi, de forma a conceber este Le Fils de Jean, uma dececionante busca pelos nossos antepassados.

Tendo como protagonista Pierre Deladonchamps (que os mais atentos cinéfilos o recordarão do Um Desconhecido do Lago, de Alan Guiraudie), a intriga leva-nos ao parisiense Mathieu, que recebe, certo dia, uma chamada do Canadá com a informação de que o seu pai morreu. Até aqui, o nosso protagonista desconhecia por completo do paradeiro paternal, sendo que, sem grandes hesitações, viaja para o outro continente de forma a conhecer as suas próprias raízes. O que encontra lá é um ambiente puramente hostil no qual não pretende participar.

De histórias fúnebres com revelações “bombásticas” o Cinema parece andar farto, porém, Le Fils de Jean tende em evitar esse amontoado de clichés de primeira vista, apostando na passividade e subtileza do seu enredo identitário que por vezes confunde-se com a natureza do protagonista. Diremos mesmo que para contornar esses lugares-comuns, o filme ruma para outra dependência, a dos atores, mais concretamente na química apresentada entre Deladonchamps e o veterano Gabriel Arcand. Lioret apercebe-se da força motivada pelos desempenhos simbióticos para com o cenário em plena transgressão e nele concentra todos os holofotes, sem perceber que com isso descarta a “graciosidade” do seu cinema, a urgência da atualidade com a emotividade despertada nos olhares que culminara sucesso em Welcome.

Simplesmente discreto, Le Fils de Jean pode não ser a rotineira telenovela, mas não possui a capacidade nem versatilidade para se revelar num "must see" da temporada. Nesta, assim como num futuro próximo. Sim, estamos desapontados.

Hugo Gomes



Deixe um comentário

voltar ao topo

Secções

Contactos

Quem Somos

Segue-nos