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«El Hombre de las Mil Caras» por Jorge Pereira

Depois de Grupo 7 e La Isla Mínima, Alberto Rodriguez apresenta El Hombre de las Mil Caras, um thriller de contenção conduzido com as regras e códigos dos filmes de espionagem e ação, mas que apresenta como maior conquista o facto de se movimentar apenas por diálogos sagazes para contar uma história tão bizarra que só podia ser verdadeira.

Baseado em factos reais, mas com alguns elementos e personagens criadas exclusivamente para o filme, estamos em plenos anos 90, mas podíamos estar hoje (basta lembrar o caso dos papéis do Panamá e as Offshores). É neste período que acompanhamos como Francisco Paesa e Luis Roldan, o ex-diretor-geral da Guarda Civil, conseguem «lavar e escapar» com mais de mil milhões de pesetas de dinheiro roubado ao Estado.

Fugindo das filmagens dos grandes espaços e paisagens da Andaluzia, como o fez nos seus filmes anteriores, em especial em La Isla Minima, El Hombre de Mil Caras é um filme de interiores, de salas, corredores, escritórios, embaixadas e até bares dos aeroportos (com valentes bebedeiras de Jagermeister à mistura). Rodriguez consegue assim construir uma obra claustrofóbica sobre um grande golpe, isto enquanto - como de costume - vai contando os tempos políticos que se viviam e que iriam anunciar a ruptura de Espanha com o PSOE, que não resistiu a tamanho escândalo e perdeu as eleições após anos no poder.

O maior defeito desta fita é também o seu maior elogio. Rodriguez cria uma teia complexa e imprevisível, acrescentando até personagens fictícias, mas com o ritmo que impõe e sustentado apenas por diálogos de tantas personagens, as ações e os eventos revelam-se um pouco confusos e caóticos, embora a ironia que acompanha sempre a obra seja refrescante e a espetacularidade nunca se perca por completo.

O trio de atores protagonistas, Eduard Fernández (Paesa), Carlos Santos (Luis Rondán) e José Coronado (Jesus Camoes), cumprem na perfeição os seus papéis, em especial os dois primeiros, que encarnam dois biltres de espíritos e modus operandi bastante diferentes. Se Paesa se mantém sempre calmo, mesmo quando a tormenta se abate, Roldán revela-se desleixado e nervoso, fluindo assim interpretações que evitam os clichés e o estereótipos dos ladrões de colarinho branco.

Um filme bem interessante que merece uma olhadela, mesmo que fique uns furos abaixo de La Isla Mínima.


Jorge Pereira



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