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«Villaviciosa de al lado» por Jorge Pereira

Nacho G. Velilla pode até tentar homenagear algum do cinema espanhol que se fazia nos anos 70, mas a formatação televisiva e um argumento repleto de vulgaridades, caricaturas e estereótipos transformam este Villaviciosa de al lado num objeto bafiento com muito pouco ou quase nada para dizer.

Convenha-se que o enredo, baseado numa estória verídica sobre uma pequena localidade com dificuldades económicas que vê o grande prémio da lotaria sair lá, provocando toda uma série de peripécias, podia ter levado a uma comédia que fazia bem o balanço entre o cinema espanhol do passado e o do presente, mas a verdade é que a subtileza do humor é semelhante a acordarem com um martelo pneumático ao lado. E nem vale a pena falar da vertente romântica, tão plástica como ridícula e inverosímel, com frases dignas de um subproduto do pequeno ecrã. Já as ligações entre a história e as suas personagens e a vida política e social espanhola nos tempos que correm, são tão óbvias e previsiveis que nem os mínimos olimpicos do entretenimento ligeiro este filme consegue.

Neste descalabro, salvam-se alguns atores, como Carmen Machi no papel da líder de um bordel, e Carlos Santos com uma figurinha provavelmente inspirada em Pablo Iglesias do Podemos), mas até estes são sugados por diálogos tão obsoletos que tornam toda esta experiência num verdadeiro martírio muito pouco exportável para fora de Espanha.


Jorge Pereira



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