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«100 Men» por André Gonçalves

E se um dia cada um de nós fizesse uma lista de pessoas com quem tivemos sexo? Foi o que decidiu fazer o neo-zelandês Paul Oremland. O realizador escolheu assim um top 100 de encontros sexuais que o mais marcaram, filmando-se a si próprio e à sua experiência sexual de 40 anos interligada com registos históricos que traçam a evolução do ativismo queer, através do sexo.

A primeira impressão de "100 Men" é de sermos inundados por uma torrente de informação a vários níveis, a um ritmo de mais de um homem na lista por minuto em média. Saúde mental, monogamia vs. relações abertas, promiscuidade vs. vivência plena da sexualidade sem preconceitos, VIH/SIDA, redes de dating, manifestações ativistas, a queda de um tempo (e uma cultura), com o encerramento de bares históricos... Se há algo que Oremland consegue provar com a sua história de vida é que o sexo precede e sucede a tudo o que se passa à nossa volta. Sobretudo quando falamos de uma comunidade que foi precisamente atacada ao longo destas últimas décadas pelo que lhes era sexualmente atraente. Estas 100 experiências, ora relativamente anónimas (usando descritivos em vez de nomes), ora associadas a um modelo de amor romântico, ora tendo um final trágico, estão bem reordenadas para formar uma narrativa consistente. 

Existe portanto um intimismo querido, provocado também por estarmos a falar de encontros íntimos expostos publicamente para fazer um ponto global empático sobre a nossa experiência comum. Cinematograficamente, é um documentário bastante simples: o típico modelo entrevista, com o grande rasco criativo a ser a inclusão de filmes anteriores do próprio realizador a serem até usados como simulação dos tempos narrados. Mas é ainda assim um compêndio muito estimável do que foi e é ser gay na nossa era - no Reino Unido, na Nova Zelândia ou aqui.

André Gonçalves



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