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«Alibi.com» por Jorge Pereira

Depois de duas aventuras de Babysitting muito agarradas a um formato found footage ao serviço da comédia, num estilo demasiado similar a Projecto X: Fora de Controlo, os elementos da trupe cómica La Bande à Fifi - Philippe Lacheau, Tarek Boudali, Julien Arruti – regressam com mais um trabalho, desta vez mais clássico na sua forma e abordagem, a fazer lembrar as comédias dos anos 80 e 90 com um enredo centrado em alguns "Descaradamente Infiéis" .

Inspirado em notícias que circularam na internet em 2009, neste filme seguimos uma empresa que fornece álibis aos clientes para as mais diversas situações, em particular casos de infidelidade. Quando o responsável máximo dessa companhia conhece uma jovem por quem se apaixona, o trabalho e os relacionamentos pessoais vão entrar em conflito e servem de motor para uma comédia com grandes momentos, mas sempre limitada e pouco afoita na sua talha e desenlace.

Ora num filme que se assume como uma comédia louca com momentos irreverentes, em que o estilo do trabalho de Seth MacFarlane ou Todd Phillips é facilmente referenciável, a fórmula extremamente previsivel de ir a todos os lugares comuns na sua vertente romântica acaba por tirar pontos à obra como um todo, sendo assim de destacar um conjunto de sketches isolados que nos fazem rir bem alto devido ao tom atrevido com que se mexe em alguns assuntos tabus que nestes tempos politicamente corretos não são bem vistos por vários sectores da sociedade. Sim, por aqui há piadas sexistas, quiçá homofobicas e até racistas. Brinca-se com a questão dos refugiados e, mais uma vez, tal como nos filmes anteriores do grupo, vários animais sofrem na pele com as aventuras do grupo (depois de termos visto peixes alucinados com Ecstasy em Babysitting - Loucura Fora de Horas, tudo era de esperar).

Existem igualmente as habituais referências cinematográficas – Van Damme e o seu Kickboxer em destaque - e até diversos cameos que dão algum carisma ao projeto, como um Joey Starr no papel de um rapper gangster a "precisar" de um alibi, Sam Naceri a voltar ao volante de um Taxi, ou  Jo Prestia (o famoso Ténia de Irreversível) numa luta de sabres ao estilo Star Wars com o nosso protagonista. 

Ora nesta amalgama de peripécias e insolências, Alibi.com funciona como um entretenimento escapista com alguns momentos de humor que escondem um argumento esquemático nos relacionamentos amorosos - essencialmente insípidos - e a uma forçosa necessidade de que tudo acabe bem com uma moral da história bem vincada. 


Jorge Pereira

 



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