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«Voice from the Stone» (Pedras Sombrias) por Jorge Pereira

Baseado no livro La Voce Della Pietra, de Silvio Raffo, Pedras Sombrias é a segunda incursão nas longas-metragens do duplo transformado em realizador Eric D. Howell, o qual, e ao contrário dos seus colegas Chad Stahelski e David Leitch, de John Wick, preferiu adaptar uma obra com mais atmosfera que ação, dramas interiores que à superfície, e com um ambiente gótico a puxar ao terror sobrenatural que nos remete a Edgar Allen Poe e a muito do cinema de casas assombradas que se fazia nos anos 50 e 60, alguns pela mão da Hammer. Isto para não falar do cinema de Hitchcock, em particular Rebecca, onde uma mulher casa com um nobre inglês que ainda vive atormentado com as lembranças da sua falecida esposa.

Obra de fantasmas internos e externos, em Pedras Sombrias seguimos Verena, uma enfermeira que vai tomar conta de um rapaz que após a morte da mãe deixou de falar. No mesmo espaço, uma mansão carregada de histórias de gerações e gerações familiares, vive igualmente o pai do miúdo, um escultor, também ele bloqueado, neste caso criativamente, pela morte da esposa.

É entre o drama, o romance e o terror que o filme se movimenta, sem nunca sair de um registo morno de suspense que não consegue surpreender ou agarrar o espectador para além do mistério embutido nas paredes do casarão. Para isso contribui muito a direcção artística de Tamara Marini e o trabalho da cinematografia do frequente colaborador de Terrance Malick, Peter Simonite.

Por outro lado, não ajuda igualmente a pouca empatia e quimica do duo de protagonistas, embora a famosa Daenerys de Guerra dos Tronos, a atriz Emilia Clarke, seja competente em cena, em particular na criação da tensão dramática, em oposição a Marton Csokas, que nunca convence completamente no papel de um pai extremoso e artista martirizado pela tragédia e memórias do passado.

Por tal, e apesar de haver mérito no trabalho de Eric D. Howell, Pedras Sombrias não escapa nunca a ser apenas e só mais um filme de um género com exemplares bem mais memoráveis que ele. E claro, clichés narrativos e nas personagens também não faltam.


Jorge Pereira



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