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«La Mano Invisible» por Hugo Gomes

Longe da pedagogia de um Laurent Cantet, La Mano Invisible (primeira longa-metragem de David Macian) autoconstrói-se como um experimento, um filme-instalação sob plena fase de metamorfoses em total rodagem para um "espectáculo de horrores". Mas afinal que horrores são esses? Aqueles mesmos que lidamos no dia-a-dia, os quais, infelizmente, estamos sujeitos como parte do nosso ciclo vivente.

"Trabalhar até morrer", assim nos dita o lema que ecoa no nosso quotidiano como um hino de guerra para relembrar as razões da nossa existência. Leis formadas desde a Era Industrial, reafirmadas com toda a sua extremidade nos apogeus da globalização e dos avanços tecnológicos. Os trabalhadores transformam-se em números, facilmente descartados e prontos para eventuais subtrações. É a sobrevivência, não a do mais forte segundo Darwin, mas a do oportunista, aquele que não deixa escapar a chance por entre os dedos. Porém, onde está a dignidade? O orgulho de integrar uma classe trabalhadora, esse estandarte da precariedade?

Como experimento dessa Natureza, La Mano Invisible dialoga com um dos "hermanos", o português A Fábrica do Nada, de Pedro Pinho. Ambos expõem os operários como cobaias de uma experiência politizada, ferramentas para a compreensão para um quotidiano em constante "lufa-lufa" {João Machado Pais}. Contudo, La Mano Invisible tece uma capacidade de compaixão humanizada ao contrário do cerco politico formado no exemplar luso. E falando em cercos, David Macián, com base numa novela de Isaac Rosa, cria um "cerco", uma de invisível forma onde as nossas personagens parece erradicar-se a uma prisão de precariedade cooperativa. Lá se vão, uma vez mais, os sonhos da esquerda, aqui ideais disfarçados de combustão para o acentuado capitalismo. Em La Mano Invisible não existem estruturas perfeitas; estas são abaladas pelas quedas constantes dos ciclos repetitivos que iludiam como estabilidade a estes operadores.

A hierarquia, assim como a oligarquia, são "ramificações" de frágil compostura que devem acima de tudo serem relembradas. Aos infratores, a maré de sorte encontra-se na "porta" ao lado. O Caos toma conta do "barco", a destas classes "escravizadas" em prol de uma ideia de sobrevivência. O espetáculo desenvolve à vista de todos, sob o olhar deste público "invisível" que por vezes dá a "cara" nos seus atos mais violentos. Estes proletários estão à mercê dos seus julgamentos, de menor compreensão possível e de uma intolerância "hooligan". Eles são vitimas da sociedade que os alberga, eles são os "filhos do trabalhos".

 

Hugo Gomes

 



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