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«Heartstone» (Corações de Pedra) por Duarte Mata

Fizemos parte da equipa desta iniciativa da Scope 100, aquela que, partindo da opinião de uma equipa de 100 cinéfilos, esteve responsável pela escolha e parte do desenvolvimento publicitário de um em 7 filmes pré-selecionados. Ficámos, infelizmente, insatisfeitos com o resultado final, uma vez que a nossa estima ia para o jogo alegórico perturbador que é Wild (exibido no KINO deste ano, e que nunca terá data de estreia comercial para Portugal, mas que nos sentimos no dever de passar a recomendação), a única obra arrojada, que permanecia com o espetador e que tinha algo de diferente para mostrar. No entanto, não sendo esse caso, falemos da estreia deste filme.

A ação centra-se numa aldeia islandesa onde um par de amigos a entrar na adolescência experiencia a descoberta mais especial que esta fase reserva: o amor. Mas é um amor voluptuoso, tímido e obrigado a ver-se reprimido em ambos os casos. Um dos membros sujeita-se a humilhações ligeiras para agradar a amada, mais velha que ele e que não retribui o seu afeto, enquanto o outro experiencia uma atração gradual homossexual pelo amigo. Um coming-of-age, portanto, que é também um retrato da homofobia que se vive nos meios rurais.

Ora, Corações de Pedra é um filme bonito de se ver, com uma fotografia irrepreensível do cada vez mais sumptuoso Sturla Brandth Grøvlen (por cá já nosso conhecido pelo mesmo cargo em Carneiros e Victoria). Mas, tal como o recente A Cidade Perdida de Z, (outro filme "bonito"), torna-se tão bonito de contemplar que se esquece de desenvolver as suas personagens e conduzi-las a uma experiência mais apoteótica cinematograficamente. E é esta impressão na reiteração das paisagens e dos rostos do seu elenco que faz com que o filme recaia, em súmula, para o decorativismo. A experiência sensorial que se vai construindo torna-se, a partir de certo ponto, maçadora e dúctil para a narrativa, pelo que necessitava de uma edição mais severa. Não se verificando isso, o filme estanca e mesmo que ainda se tente refugiar em metáforas (o pequeno charroco com que inicia e conclui o filme) nem por isso deixa de fazer sentir o peso da sua duração.

O melhor: A fotografia do sempre extraordinário Sturla Brandth Grøvlen.
O pior: A duração e a necessidade de fazer do filme uma experiência sensorial que estanca o desenvolvimento narrativo que necessitava.



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