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«Wonderstruck» por Hugo Gomes

Haynes presenteou-nos com um rebuçado. Um filme doce e macio para ser acompanhado em qualquer altura. É dessa matéria que são feitos os filmes"crowd pleaser", e infelizmente Wondertruck é um deles.

Duas narrativas intercaladas onde o ponto comum (para além de um twist, cuja existência é adivinhada a léguas) é a marginalidade social das suas personagens - crianças forçadas a viver num mundo silencioso, um ensurdecedor silêncio. São surdos, mas a sociedade vê-os como “freaks” que têm que se adaptar ao Mundo e não o contrário. Duas histórias separadas por gerações, por épocas passadas, vivas na memória cinematográfica, e nessas recordações Todd Haynes incute uma reconhecível linguagem do foro visual.

De um lado os conservadores anos 20, conservadores em comparação com a outra face da moeda, os anos 70 e os seus movimentos contagiantes de sexualização e diversidade cultural. Opostos que se atraem através do rigor de um realizador que após os formalismos contidos de Carol decide arriscar numa suposta reinvenção. Todavia, os formalismos encontram-se lá, perdemos a obra e ganhamos um “docinho” de desfazer nos nossos paladares. Não espero cair no erro, Wonderstruck é um “baú de maravilhas” técnicas: a fotografia, a câmara rígida, mas confiante, a estética que toma conta do prologo, uma banda sonora de primeira linha de Carter Burwell (grande aposta aos Óscares na respetiva categoria), os desempenhos sem falhas (Julianne Moore a merecer destaque), um primor que não faz jus pela sua postura correta, amistosa e sobretudo, tendo aqui causas sociais invocadas, a soar panfletário. 

Pois é, por esta altura, enquanto escrevo esta crítica, o dito rebuçado derreteu completamente, já não existe mais, apenas as recordações gustativas daquele mesmo sabor. Todd Haynes parece ter esse efeito, o de atenuar brevemente com um contagioso retrato de “filme de estúdio” (denominações a produções cautelosas para fins comerciais, produzidos por grandes estúdios), dos bens feitos, mas não deixa ser de estúdio. Ah, já me estava a esquecer, os créditos finais possuem um quê de criatividade.

 

Hugo Gomes



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