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«Piúma» por Jorge Pereira

Tragicomédia ligeira sobre dois adolescentes que vão ser pais e decidem seguir em frente com a gravidez, este Piúma revisita a commedia all'italiana através da comoção e humanismo de toda uma estrutura familiar já com demasiados problemas e que terá agora de lidar com a opção dos miúdos.

Nisto tudo, quem brilha nem são os protagonistas, Luigi Fedele e Blu Yoshimi, mas as personagens secundárias, com particular destaque para os pais dos jovens, com Sergio Pierattini em particular a brilhar e a roubar cada cena em que surge. O momento em que ele pergunta ao filho se ele quer que morra, é de levar às lágrimas de tanto rir.

E é quase impossível não falar em Juno, de Ivan Reitman, outro filme onde as personagens têm de lidar com uma gravidez imprevista e iniciam uma jornada de bons e maus momentos com as familias e outras personagens anexadas. Ou então do francês 17 Filles, baseado numa história real.

Ainda assim, Piúma é menos marcante, até porque muitas vezes as situações parecem forçadas, a queda no realismo a espaços não funciona completamente e no final ficamos com a sensação que apanhamos uma conversa em qualquer lado, rimos com ela, mas não nos preocupamos seriamente. A realização de Roan Johnson joga também contra o filme, não só porque muitas vezes parece estarmos moldados para o pequeno ecrã, mas essencialmente porque eles não se preocupa em visualmente criar algo mais arrojado e até poético como o guião exigia.

E no meio disto tudo, o duo protagonista está mais ciente que nós. Obviamente que eles não têm condições para educar o filho a caminho, mas não se importam de experimentar em ficar à deriva, como os patos de borracha, a ver para onde a maré os leva.

O Melhor: Sergio Pierattini e alguns diálogos entre Luigi Fedele e Blu Yoshimi
O Pior: A sensação de não termos ido a lado nenhum


Jorge Pereira



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