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«Radin!» (O Grande Sovina) por Jorge Pereira

Longe vão os tempos em que o nome de Dany Boon era sinónimo de sucesso comercial (e até da critica) e apesar deste Radin não ser tão dececionante como um Supercondriaco (2014) ou o ainda mais recente Raid dingue (2016), ainda não foi desta que o ator sensação de Bem-vindo ao Norte (2008) e Nada a Declarar (2010) volta a caminhar sobre as brasas do sucesso.

Neste Radin, que de forma livre pode ser visto como uma visão moderna da avareza, inspirada certamente em clássicos como O Avarento de Moliére ou Eugènie Grandet de Balzac, Boon é François Gautier, um neurótico obsessivo com os gastos, capaz de fazer tudo para poupar mais uns tostões. Idas ao supermercado com uma calculadora, usar preservativos fora do prazo de validade, presentear alguém com algo que recebeu, e tremores só de ver uma luz acesa em casa, fazem parte do dia a dia de Gautier, um violinista que trabalha na Conservatória e faz a vida negra a quase todos com que contacta, sejam colegas, amigos ou vizinhos.

Quando uma violoncelista (Laurence Arne) mostra interesse nele e uma jovem (Noemie Schmidt) bate à sua porta, a vida deste homem leva uma grande volta, mas estará ele preparado para isso?

A premissa é interessante, se pensarmos numa comédia que teria inevitavelmente de oferecer alguma profundidade dramática às personagens. Isso é parcialmente conseguido, até porque o nosso protagonista nunca é uma pessoa de quem realmente gostamos, embora queiramos continuamente saber se vai conseguir mudar a sua maneira forreta de ser. A sucessão de eventos atrás de eventos ligados a essa avareza, dão ao filme uma sensação de redundância nas situações cómicas, sendo aqui que a presença dos secundários – em particular Laura (Schmidt) e Valerie (Arne) – se demonstra fundamental, porque à narrativa bafienta que entra em "loop" criativo, o duo de atrizes, em particular Schmidt, responde com um dramatismo refrescante capaz de colocar por momentos em segundo plano a personagem de Boon.

Ainda assim, Boon parece que não se consegue reinventar completamente nos tempos que correm, embora consiga dar um ar da sua graça nesta primeira incursão na comédia de Fred Cavayé, um cineasta que quer mostrar que consegue trabalhar em outros géneros para além daquele que o celebrizou: o thriller (Pour elle, À Queima-Roupa, 72 horas e Mea Culpa).

Nesse aspecto, o bretão Cavayé parece seguir as pisadas de Jean-François Richet, o qual depois de diversos exercícios no cinema criminal (como o díptico Mesrine, entre muitos outros), embarcou na comédia Um Momento de Perdição (2015).

O Melhor: A relação entre as personagens protagonizadas por Boon e Schmidt
O Pior: As situações cómicas tornam-se redundantes

 


Jorge Pereira 



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