Menu
RSS


«Window Horses – A Epifania Poética Persa de Rosie Ming» por Jorge Pereira

Pungente este Window Horses, um filme de animação de Ann Marie Fleming, ela que nasceu no Japão, com descendência chinesa e australiana, e que tem nacionalidade canadiana.

Esta mistura de origens e experiências transpõem-se para a personagem principal desta pequena pérola do cinema de animação, na forma de uma jovem, Rosie (voz de Sandra Oh), filha de mãe chinesa e pai iraniano, que trabalha numa cadeia de fast food mas que tem o gosto pela poesia e o sonho de ir para Paris, pois os franceses são muito sensíveis» (Rimbaud e Baudelaire são influências).

Depois de publicar pelos seus meios um livro de poemas, não é França que a chama, mas sim o Irão, que a convida para participar num festival de poesia em Xiraz.

O resto é uma história de descoberta das suas origens, das razões da disfunção familiar, mas acima de tudo de uma mulher que encontra na poesia a voz para explanar aquilo que a corroi e martiriza.

Se em termos de animação começamos pelo mais elementar e mesmo rudimentar dos trabalhos, à medida que o filma avança, o visual do filme vai mudando, especialmente quando chegamos ao Irão e somos instruídos de forma quase didática sobre a história recente do país, da sua cultura, e em particular sobre a sua poesia e poetas (toda a gente no Irão é poeta e ama a poesia, ouve-se a certa altura).

Sábia em como abordar as diferentes sensações que cada poema vai transmitindo, Ann Marie convida outros desenhadores e cria sequências individuais dentro do seu próprio filme, isto sem nunca abalar a obra como um todo. Somos assim invadidos por um mundo de cores, tonalidades, traços e de poesia, num filme que aborda de forma bem incisiva a xenofobia e dos problemas políticos e militares que afastam tantas famílias.

E é óbvio que a experiência da cineasta em viajar pelos festivais de cinema a apresentar os seus filmes em muito ajudou na construção de todas as figuras em torno do festival de poesia, ou como ela disse no cinema São Jorge, perante o público: "vocês, a audiência dos meus filmes, está presente também no filme», na forma de inspiração.

Um belíssimo filme que nos invade os sentidos e nos faz refletir e viajar para além do terreno.


Jorge Pereira



Deixe um comentário

voltar ao topo

Contactos

Quem Somos

Segue-nos