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«The Lost City of Z» (A Cidade Perdida de Z) por Duarte Mata

Gostamos (e muito) de James Gray. Desde o seu promissor Little Odessa que nos foi presenteando com um cinema plástico, de elevadas referências cinéfilas que poderiam de ir a Scorsese a Kazan ou até mesmo Coppola, tudo dentro do mesmo filme. É por isso que nos custa tanto a digitação de cada novo caracter neste texto. Porque, pela primeira vez na sua carreira, estamos diante de um filme fraco e fracassado do seu autor.

TheLost Cityof Z tem sido divulgado como um filme de aventuras baseado nas experiências do explorador Percy Fawcett na floresta amazónica em busca da cidade perdida do título. Poderia ser um novo Apocalypse Now (afinal, a sua obra anterior, a belíssima A Emigrante era influenciada diretamente pelo Padrinho II de Coppola, cineasta que Gray adora ferventemente) ou um Aguirre, a Fúria do Guerreiro passado no princípio do século XX (Gray afirmou que queria fazer um épico mais alucinogénico e a obra máxima de Herzog é um exemplar perfeito desse conceito). Mas, ao invés, o cineasta criou algo mais contido e interior, sustido num ritmo moroso e que se refugia maioritariamente nas cenas passadas “em civilização” do que na busca pelas tribos indígenas.

Questionamo-nos se será intencional ou não. Mas, se é esse o caso e a psicologia deve prevalecer, porque é que as personagens nos parecem tão simples? Porque é que é tão fácil não sentirmos empatia por elas? Porque é que pomos em causa todo este ritual coloquial e julgamo-lo “palha” num filme que não é o que nos foi prometido? Em súmula, porque é que nos sentimos tão… tão… tão exaustos com a escassez dramática do projeto, quando nos devíamos sentir presos àquele desejo imaculado de triunfo do protagonista partilhado connosco?

E refugiamo-nos naquilo que Gray sempre soube distinguir-se dos seus contemporâneos, a plasticidade neoclassicista que aqui aparece imprudentemente reduzida a um par de planos em cada cena com as cores de âmbar que já lhe são reconhecíveis. Pior, estes não têm a integração, pela luz e forma, das personagens no cenário em que se expõem, quase como se deixassem de seraqueles desenhos em aguarela cuidadosamente delineados num mosaico dourado de forte impressão que nos haviam marcado noutras obras suas.

É só nas cenas da selva que o cineasta ainda se presta a alguma liberdade, mas daí, pondo nas mãos de outro, o resultado ficaria tão diferente? Deveriam ser o apogeu transcendente e hipnótico que levassem o filme ao fulgor epopeico Leaniano que a intriga pedia. O elo que Fawcett estabelece com o seu companheiro de viagens Costin (aqui interpretado por Robert Pattinson) não aparenta qualquer camaradagem. As prestações de Sienna Miller e Tom Holland (como, respetivamente, a esposa e filho de Fawcett) não nos convencem e o final anti climático e um tanto frustrante só nos partem mais o coração no que é, indubitavelmente, o pior filme do cineasta americano até agora.

O melhor: As (poucas) cenas na selva.

O pior: O pouco empenho de Gray a filmar, não ser o projeto que nos tinham prometido, prestações de qualidade dúbia.

Duarte Mata



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