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«Final Portrait» (O Último Retrato) por Paulo Portugal

Em Final Portrait, exibido em Berlim fora de competição, Stanley Tucci ensaia uma nova tentativa como realizador, ao adaptar o livro do escritor e crítico de arte James Lord, sobre o derradeiro e caótico período da vida do artista Alberto Giacometti. O resultado e a inspiração foi o livro Um Retrato de Giacometti, encarado com uma espécie de clássico no seu género. Mesmo com uma composição muito aproximada do artista por parte de Geoffrey Rush, e com a estrela ascendente Armie Hammer, como o escritor modelo, este ‘retrato’ fica-se apenas com ar de esboço de filme.

Claro que Stanley Tucci não precisará de apresentações enquanto ator. Mesmo quando envereda por propostas mais mainstream, como a franchise Jogos de Poder, reconhecemos-lhe uma presença firme e credível. Menos conhecido será talvez o seu trabalho ocasional atrás da câmara, com cinco filmes em duas décadas, quase sempre para servir de suporte à sua interpretação e, quase sempre, sem ser alvo de grandes aplausos. O último foi a discreta comédia romântica Blind Date, num pas de deux, com Patricia Clarkson.

Desta vez, Tucci concentrou-se na evocação do artista plástico Alberto Giacometti e o seu particular fascínio existencialista na repetição obsessiva dos gestos tendo em vista um eterno aperfeiçoamento. No caso, o eterno apuramento do retrato do escritor James Lord, já depois da fase surrealista de Giacometti.

Apesar de um projeto desta natureza ter à partida as limitações da sua própria moldura formal e biográfica, esperava-se, pelo menos, algum rasgo dramático, senão carisma, por parte de Rush, que se limita a adornar a personagem de uma certa bonomia e até um ar suavemente cabotino. De resto, o trabalho de realização revela-se igualmente preguiçoso e previsível, acrescentando muito pouco a um filme de época bastante preciso, afinal de contas estamos em 1964. É claro que a presença de Rush e Hammer serão sempre bons cartões de visita, embora o filme pareça viajar em piloto automático, ainda que com uma rota certa, mas a mostrar muito pouco cinema.

Paulo Portugal



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