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«Lo and Behold, Reveries of the Connected World» (Eis o Admirável Mundo em Rede) por Paulo Portugal

Lo and the Behold” constitui um dos três projectos que o alemão a viver em Los Angeles apresenta este ano – os outros são a ficção “Salt and Fire”, um filme de perfil ambiental, exibido no festival de Toronto, e “Into the Inferno”, um documentário sobre a exploração de vulcões.

Hoje em dia, a esmagadora maioria dos adolescentes que passa uma boa parte do dia a enviar mensagens pelo Twitter desconhecerá que foi nos idos de 1973 que surgiu o embrião da internet, ou seja, o tal momento em que um computador falou com outro, apenas a alguns quilómetros de distância. A ideia era transmitir a palavra “LOG IN”, sendo que o ‘in’ seria automático, num processo confirmado via telefónica. O ‘L’ correu bem, tal como o ‘O’, mas na 3ª letra o computador crashou. Assim assim, dada a relevância que tem hoje essa mensagem profética, podemos aplicar a expressão de Neil Armstrong de que se tratou de um pequeno passo para o Homem e um salto gigantes para a Humanidade.

Seja como for, esse ‘LO’ foi usado por Herzog para descrever esta jornada essencialmente didática, que nos atualiza sobre os diversos rumos que assumiu essa comunicação entre computadores, embora pontuada aqui e ali por intervenções do realizador que lhe dão algum cunho pessoal.

Dividido ao longo de uma dezena de partes, Herzog elabora essa cronologia da net, salientando os dados mais relevantes, devidamente acompanhado por uma longa lista de ‘talking heads’ ligadas ao fenómeno. Em que algumas delas argumentam como a comunicação entre um número alargado de utilizadores chega a permitira antecipação das suas reações. Como se uma mensagem pudesse chegar antes de ser enviada. Sim, mas isto muito antes da internet tomar conta das nossas vidas. E antes até de se conceber um ambiente orgânico em que um quarto ou uma casa se transformem num ambiente orgânico proporcionado pela realidade interativa de hologramas que operam o funcionamento doméstico e diversos outros aspetos da vida doméstica. Por isso a pergunta acaba por surgir. Será que a internet poderá sonhar com ela própria? Podendo até antecipar-se ao ser humano? Um elemento que não é descurado, sobretudo pelo princípio que torna a rede mais inteligente.

Aqui se mostra a evolução dos automóveis inteligentes que dispensam o condutor analisando todas as variáveis e erros que são partilhadas imediatamente por todo o universo de utilizadores, ou o conjunto de robots que pretende um dia ser mais eficaz que Messi ou Ronaldo ou ainda o papel dos hackers neste tráfego de informação. Naturalmente, o documento revela ainda um lado mais negro, o dos dependentes de internet, onde se cita o casal de coreanos que deixou morrer de fome o seu filho por falta de cuidado e por os pais estarem viciados num jogo em que, paradoxalmente, se ocupavam a gerir a vida de um ser virtual. Isto para já não comentário outros viciados em gaming que usavam fraldas para não interromper o jogo.

Mesmo sem ser particularmente notável, “Lo and the Behold, Reveries of the Connected World” é acutilante na atualidade do tema. E, seguramente, muito relevante para informar, e até aliciar, a comunidade mais jovem sobre o presente, passado e futuro da internet.

Paulo Portugal



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