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«O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu» por Hugo Gomes

"Os filmes são histórias, o cinema é o modo de as filmar". É sob esse signo que João Botelho relembra Manoel de Oliveira, um homem incansável para contar a sua história, onde os filmes seriam o seu elixir da Vida, o segredo da sua imortalidade. Botelho declarou-se, como sempre, no mais admirado dos admiradores do cinema de Oliveira, no seu mais fervoroso defensor e agora, "depois das lágrimas enxugadas" (como o próprio refere), determinado a condensar um legado em pouco mais de 80 minutos de duração. Sim, o tempo é aqui uma "bata ingrata" perante anos e anos de filmes, anos de vida e o cinema que fora inventado e reinventado pelo "mestre de honras" do Cinema Português.

Mas nenhuma homenagem faz jus aos seus homenageados, e por isso, Botelho injecta nesta hora e pouco mais, todo o seu carinho e veneração pelo seu "padrinho cinematográfico". Sim, O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, é fruto de um amor, não apenas com a figura "paternal" de Oliveira, mas com o cinema em geral, uma proposta honesta e sentida para com esse pesar de saudade, pelo mestre não vivo que impossivelmente será recolocado. Por entre trechos dos filmes, salientado a sua técnica invejável, assim como os marcos deixados em cada uma das obras, o filme tende em partir da homenagem até ao próprio ensaio audiovisual, o que poderá servir, quem sabe, num futuro próximo como arranque para novas gerações conhecerem Manoel de Oliveira.

Esta é uma obra com a bênção da mesma entidade divina, e por fim, a homenagem propriamente dita, onde Botelho torna-se no Botelho emancipado, o realizador que sob a autorização da história de outros, espelha o seu cinema ensinado e a marca autoral que, entretanto, nasceu nas suas veias. Trata-se de A Rapariga das Luvas (ou Prostituição), a curta filmada pelo próprio, tendo como base uma história que Oliveira o segregou, um dos enredos que infelizmente não pode filmar. E é nessa confissão entre amigos que o nosso realizador evita a montagem e a selecção de carreiras centenárias para se dedicar ao seu cinema em expansão. Pois, é que fora a ideia, A Rapariga das Luvas é um filme de Botelho, requisitado por um universo à lá Oliveira, mas continuamente dotado com a clemência de memórias.

O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, entra em paralelo com outro tributo cinematográfico português - João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que eu Amei, de Manuel Mozos. Porém, este último beneficia não só do seu "quê" de homenagem mas da postura "fraternal" com que o realizador preserva as memórias, mais concretamente o sentimento vivido e exprimido por Bénard da Costa em relação à Sétima Arte. Botelho, por outro lado, não quer apenas preservá-las, mas sim emoldurá-las, para que possa gritar alto, audível a tudo e todos: "Manoel de Oliveira morreu. Longa Vida a Manoel de Oliveira".  

Hugo Gomes



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