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«Taekwondo» por André Gonçalves

max-entrevistas-taekwondo-2Presente na competição pela terceira vez (um recorde?), o argentino Marco Berger continua a ser das vozes mais interessantes do cinema "queer" mundial. Se não foi à terceira que conquistou o prémio máximo do festival, não foi por falta de qualidade, assegure-se. 

A ideia de "Taekwondo" terá surgido com o documentário "Fulboy", sobre o dia-a-dia de jogadores de futebol e o que acontecia quando estavam conscientes ou não da câmara, editado por Berger e Martín Farina e realizado por este último (Farina é aqui co-realizador). Esse grupo de jogadores é agora então transposto de uma forma perversa para um espaço privado, com direito a piscina, sauna, e "court" de ténis, e com o direito a despirem-se de preconceitos estando num grupo exclusivamente de homens... 

A câmara vai intrusivamente filmando estes corpos atléticos e conversas casuais consciente que o "voyeurismo" desta dupla se replica no espectador, e onde o homoeroticismo das situações possa ser entendido de forma ambígua ao longo de praticamente toda a sua duração. Essa ambiguidade espelha-se numa dúvida: a incapacidade de Germán (Gabriel Epstein), colega de taekwondo de Fernando (Lucas Papa), perceber se o seu colega de treino está efetivamente a atirar-se a ele ou se é um simples ato de  confraternização heterossexual. Portanto, Berger a voltar ao melhor que nos apresentou em "Plan B" e "Ausente": foco na masculinidade, e na dúvida que um amor homossexual possa ter lugar dentro desse padrão. E claro, um jogo de sedução com o espectador, que arrisca em testar os limites da sua paciência, não fosse o jogo funcionar... 

Não vale a pena ter pressa aqui. Numa época tão marcada pela instantaneidade, Berger e Farina recusam dar o que o espectador mais deseja durante 99% da película, guardando o orgasmo para um pedido final. "Taekwondo" é um filme de suspense, uma comédia, um olhar ácido ao mundo encantado dos homens e das suas "fraternidades", um "reality show" para intelectuais. É, acima disso tudo, mais um tiro em cheio.  

O melhor: O olhar intrusivo e perverso de Berger e Farina que consegue manter-se fiel aos seus objetivos até final. 

O pior: este jogo de sedução não será para todos - sobretudo para quem não aprecia overdoses de planos inferiores de corpos masculinos ou para quem deseja logo ação.

André Gonçalves



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