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«La Fille de Brest» (150 Miligramas) por Paulo Portugal

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Depois de abrir Cannes (com) De Cabeça Erguida, a atriz-realizadora Emanuelle Bercot abre agora San Sebastian com a adaptação de outro romance insuflado por um acentuado perfil social, baseado num caso verídico.

Pena é que esta Fille de Brest passe ao lado do que poderia ser um filme interessante. A adaptação do livro de Irène Franchon, uma médica de província que durante anos batalhou com a poderosa indústria farmacêutica para provar a reação danosa, e frequentemente letal, de um fármaco de grande difusão, assume um estilo de thriller, mas que nunca chega a verdadeiramente sair do formato da dramatização televisiva em formato de thriller seguindo o irritante ritmo de música eletrónica.

Apesar de assumir apenas a direção, de certa forma, a atriz dinamarquesa Sidse Babbet acaba por ser uma versão muito próxima do que faria a decidida Bercot no papel de médica em luta contra o sistema de saúde. Afinal de contas, uma espécie de Erin Brockovich com o olho posto nas zonas cinzentas do poder dos grandes laboratórios e a sua propaganda para as mulheres que pretendem emagrecer e ter um corpo apetecível.

No acentuar desse lado mais fácil, Bercot não nos poupa sequer a uma autópsia bastante gráfica e de gosto duvidoso, com a sua câmara mais ou menos deleitada e mostrar-nos os detalhes das entranhas. No ponto de vista de realização, nunca vamos muito longe do formato do seriado televisivo, com uma escolha pobre de planos e muito apoiada na personalidade algo excessiva da personagem. Enfim, um filme com pouco cinema e que aponta para um tipo de consumo muito imediato e de gosto duvidoso.

Paulo Portugal



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