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«Devil's Candy» por Roni Nunes

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Depois de revisitar em “espírito” Massacre no Texas com a sua muita cultuada longa-metragem de estreia, The Loved Ones, de 2009, o australiano Sean Byrne viaja no concreto ao sul dos Estados Unidos para enveredar pelo satanismo.

 

Menos cru e violento, The Devil’s Candy trás novamente uma simpática família em apuros – que desta vez inclui um artista plástico apaixonado por heavy metal (Jesse, vivido por Ethan Embry), sua solitária filha adolescente (Kiara Glasco) e a mãe dela (Shiri Appleby) – numa história onde, novamente, a personagem materna é secundária. Ao mudarem-se para um casarão eles são assediados por um antigo morador (Pruitt Taylor Vince) em busca de “doces para o diabo”.

 

Fã notório de metal (já presente em diversas referências no seu trabalho anterior) Byrne constrói um filme barulhento, onde a música significa paixão (a inspiração para as pinturas e para a sua própria vida), os laços familiares (a identificação da menina com o pai), alívio (a única forma do psicótico calar as “vozes” na sua cabeça) e desgraça (o encontro do vilão com a menina através da guitarra).

 

O uso do som tem mais significados, entretanto. Se, por um lado, as alucinações auditivas são património adquirido do cinema de terror desde os filmes com sobrenatural dos 70/80 (as fitas “ao contrário” de A Noite dos Mortos-Vivos, por exemplo), em The Devil’s Candy elas ganham um novo relevo – efetivamente sinistras e servindo como um recurso valioso para descrever a tragédia de um esquizofrénico.

 

Na nova casa também Jesse ouve estas “inspirações” macabras, artifício que serve ainda a um comentário do realizador sobre o processo de criação (as obras “perturbadoras” que produz freneticamente a partir daí) e a relação entre integridade artística e o comércio (a sugestão de pacto faustianos no encontro com o mercador).

 

Byrne manteve as qualidades do seu antecessor – conseguindo criar densidade à história ao não cair no erro de filmes como Nem Respires onde, numa mesma estrutura de quatro personagens, estes são incómodos "tapa-buracos" compostos de clichés (quando o são) para figurarem nas cenas de ação – as “estrelas” do filme.

 

Infelizmente, no entanto, faltaram as vozes satânicas que assediaram o seu artista-protagonista para ele terminar o seu filme de forma mais ousada – que termina por ceder à formatação dos thrillers e a esticar a corda das situações improváveis à die hard. Padecendo de visceralidade, talvez fosse o caso dos acordes de For Whom the Bells Tolls terem entrado antes dos créditos finais…

 

O Melhor: o uso do som e a construção dos personagens principais (protagonista e vilão)

O Pior: o final formatado

 

Roni Nunes

 



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