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«Money Monster» por Hugo Gomes

Existe uma enorme vontade de "ressuscitar" o Robin dos Bosques, um justiceiro que tenha a "decência" de pôr fim a este capitalismo selvagem que parece avançar nos tempos que decorrem. Pelo menos é o que Jodie Foster gosta de pensar, vestindo tal "pele" e tendo como reforços dois nomes de peso: George Clooney e Julia Roberts.

Money Monster acaba por continuar aquilo que A Queda de Wall Street não adiantou, indiciar uma verdadeira "caça às bruxas" à alta finança e a todos os podres que culminam nessas "águas". Mas a questão é a lucidez, até porque nesse termo a terceira longa-metragem de Jodie Foster falha redondamente. Não é previsão, é "dinheiro certo", a atriz convertida em realizadora é demasiado ingénua e bem-intencionada para conseguir transmitir uma ácida crítica que vai ao encontro do seu alvo.

O que ela consegue fazer é um thriller com queda para marxismos românticos, isto tudo num cenário "dignamente" capitalista onde as uniões fazem a diferença e as boas intenções estão ao virar da esquina. Até certo termo, é Hollywood do mais classicamente modular, enviesamentos do cinema "inocente" de Capra com a sólida estrutura de propaganda. Sim, nesse aspeto, Jodie Foster cedeu a um pseudo-ativismo, considerou-se "moral high ground" e apresentou uma teimosia de chamariz.

Brincou a Oliver Stone, mas apenas saiu-se como um Antoine Fuqua. Agora, esquivando toda essa demanda socio-politica, Money Monster é um não assumido filme de golpes, uma tentativa de orquestrar um ensaio de cerco que acaba por ser demasiado míope para o seu próprio estado. As personagens nunca chegam a tecer afetos, nem qualquer tipo de ligação emocional, e a intriga acaba precocemente por ceder. Os elementos rebuscados e a ingenuidade tomam assim as rédeas do filme, desviando-se de territórios que tão bem poderia percorrer.

Afinal, o que sobra disto? O carisma e a garra com que George Clooney consegue transcrever na personagem, sem nunca levá-la ao modo "extremo". Ao invés disso, ao pretendido neste tipo de produções - o clube dos pecadores arrependidos - novamente o moralismo quase evangélico a dar cartas no cinema norte-americano. Industrialmente competente, ideologicamente e concetualmente falhado.

O melhor – O esforço de George Clooney em dar credibilidade à sua personagem
O pior – Jodie Foster a brincar aos vigilantes


Hugo Gomes



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