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«Eu Estive em Lisboa e Lembrei de Você» por João Miranda

Baseado no livro com o mesmo nome de Luiz Ruffato, “Estive em Lisboa e lembrei de você” conta a história de Serginho, de Minas Gerais, que, depois de alguns problemas no Brasil, procura um Eldorado em Portugal. Bem intencionado e ingénuo, Serginho vai sofrer vários contratempos tanto no Brasil como em Portugal. Desconhecendo por completo o livro em que se baseia, não sou capaz de avaliar a fidelidade da adaptação, mas o que nos é apresentado no filme é de uma simplicidade tosca, baseado em muitos estereótipos (alguns que parecem ter vindo do séc. XIX, como a “debilidade mental” da mulher do protagonista) e sem conseguir alguma vez libertar-se deles. Infelizmente este é o registo que perdura até ao final, parecendo-se mais com o que seria de esperar de um anúncio de alguns segundos (onde não há tempo para construir personagens ou situações complexas) do que com uma longa-metragem.

Se a história não traz nenhuma originalidade e parece mesmo ter sido escrita por um adolescente ansioso por tocar “temas sérios”, sem experiência para isso para além do que vê nos media, a imagem também não destoa. Não vale a pena falar da forma liberal como os realizadores retalham o mapa da cidade numa edição que induz vertigem e confusão para quem o conhece, nem a falta de originalidade da câmara, que não parece saber bem o que fazer. Foquemo-nos na pós-produção. Com a explosão de software de edição e pós-produção, temos visto uma torrente de filmes que estão tão sobrecarregados de filtros e correcção de cor que nem se consegue perceber como seria a imagem inicial. Se estas ferramentas podem ser usadas para induzir um estado mental ou emocional, mal utilizadas acabam por entorpecer o espectador. É o que acontece neste filme, com uma correção excessiva de cor e de luz que, mais do que a tristeza que quer criar, só retira clareza à imagem e a empobrece para lá do trabalho original (que já não é brilhante).

Este poderia ter sido um filme meramente medíocre, com imagem e história pobre, mas a última meia-hora torna-o em algo simplesmente ridículo. A ingenuidade de Serginho transforma-se em estupidez na tentativa de unir os pontos que estão no papel. Infelizmente esses pontos são só clichés e baboseiras. O trabalho amador dos atores também é constrangedor, com o seu ponto alto (ou baixo?) na conversa que a mãe de Serginho tem com ele depois de uma noite de copos. Espantoso estar na competição nacional de um festival de cinema.

 

O Melhor: Felizmente nem todas as personagens são maliciosas.

O Pior: O excesso de pós-produção; os clichés e os estereótipos.

João Miranda



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