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«Kate Plays Christine» por João Miranda

41 anos depois Christine Chubbuck se ter suicidado em direto numa pequena estação local da Florida, Kate prepara-se para representá-la num filme. Parece ser sobre essa preparação que “Kate Plays Christine” se debruça. Na realidade é um pouco mais ambicioso do que isso e bastante mais fraco. Se limitasse à preparação do ator, a pesquisa, a análise, o experimentar e tudo o demais, sempre poderia, mesmo dentro do paradigma demasiado literal e míope norte-americano, ser mais interessante. Como está, temos hora e meia de muita gente a falar sobre o que desconhece, com três ou quatro exceções, a debitar platitudes sobre o suicídio e a cultura mediática.

Se, durante o “Kate Plays Christine”, ainda podemos ter dúvidas sobre o filme que parecem estar rodar e da sua qualidade muito duvidosa, o final deste filme mostra que o escritor e realizador Robert Greene pensa que é mais esperto do que na realidade é. O problema é que, para poder fazer o que tenta no final, precisava de ter agarrado o público até aí, mas as conversas e dramas de quem não sabe nada da história para além do que se pode encontrar na wikipedia só servem para aborrecer e desligar completamente. Poderia também, de alguma forma, ter conseguido involver o espectador através de Kate, a atriz, mas esta só parece constantemente relutante, com poucos vislumbres da sua verdadeira personalidade, como uma criança a tentar ser séria porque acha que o contexto assim o exige (chega a esquecer-se de como andar, quando vai a casa de Christine, numa cena tão constrangedora que chega a ser estúpida), impedindo qualquer empatia.

É difícil detalhar melhor sem entrar em spoilers, mas quando Robert Greene pensa que pode fazer algo para nos mostrar um espelho do que pensa ser a nossa vontade, acaba por revelar mais sobre si próprio do que sobre o espectador. Michael Haneke fê-lo muito melhor do que Greene alguma vez podia sonhar.

 

O Melhor: O esforço.

O Pior: A inépcia.

João Miranda



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