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«Alaska» por Duarte Mata

Parecendo que não, nunca é fácil de contar uma história de amor. Criar situações e diálogos que não recaiam no popularucho lamechismo (ah Nicholas Sparks, tanta porcaria com o teu nome estampado), encontrar um duo de atores que pareça credível nos sentimentos que partilhem entre si e, finalmente, fazê-lo de uma forma cinematograficamente interessante e apelativa a todos os espetadores é uma tarefa quase herculana. Alaska, o mais recente filme de Claudio Cupellini (mais conhecido como um dos realizadores da série de televisão Gomorra), embora não padeça do primeiro ponto, encontra os seus problemas nos últimos dois.

As personagens jovens principais, Fausto (Elio Germano) e Nadine (Àstrid Bergès-Frisbey), apresentam uma certa imaturidade na relação que acarretam ao longo dos cinco anos em que decorre a ação (opção intencional do realizador). Como tal, o romance que deveria ser a força motriz da obra encontra-se muitas vezes posto em causa para dar lugar a situações de violência e ciúme que deixam o espetador confrontado com o propósito do exercício. Os poucos momentos românticos comuns no género (o primeiro encontro e o primeiro beijo) padecem de um certo desfasamento entre a postura excessivamente sensível da protagonista feminina e o comportamento impulsivo do masculino.

Mas, de maior curiosidade e destaque, é a encenação de Cuppellini que traz qualquer coisa de polarizador: se, por um lado, não segue um estilo comercial pré-formatado, também não pretende encontrar-se com as reclusões artísticas do cinema de autor. Antes tenta lidar com planos-sequências relativamente elaborados ou planos fixos curiosos, mas também o comum campo-contracampo pouco trabalhado ou cenas filmadas de forma pouco fulgurante (a da discoteca é a que mais custa a passar). Ficamos indignados se estamos diante de um cineasta que se esforça para agradar a ambos os polos (crítica e público) ou de uma obra incoerente, com o seu quê de arriscado. É estranho, mas não é acidental, o que torna Alaska mais difícil de definir do que ao princípio podia parecer.

O melhor: A curiosidade na variegada encenação de Cupellini.
O pior: O desfasamento nas representações dos dois protagonistas.


Duarte Mata



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