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«Suburra» por Hugo Gomes

Suburra corresponde a uma nova tendência do chamado "cinema de máfia" (mob cinema), onde o romantismo das tão celebrizadas obras de Coppola e de Scorsese são substituídos por uma crescente crítica social e pela alarmante divulgação de um cenário vivido nos tempos atuais. É uma teia de influências e de desconfiança que preenche o universo do último êxito de Stefano Sollima, um dos "cabecilhas" da versão televisiva de Gomorra, que requisita esses ares orgásticos de um tentador crime, ao mesmo tempo que nos enche com a culpa da manhã seguinte, como uma "ressaca" depois de um festeira noite de excessos.

Tal como o filme a certa altura especifica, existe um apocalipse iminente que joga com os destinos das suas variadas personagens, que a certa altura fundem dando o seu contributo a um inteiro quadro. Quadro, esse, que seria um cliché pegado se a cidade-cenário fosse a tão infame Nápoles, ao invés disso é Roma a orquestrar uma Gomorra silenciosa, onde a política é corrompida pelos interesses maiores de "famílias". E voltando a referir a ideia de quadro, Suburra é pintado sob pequenas pinceladas, quase ocasionais e instintivas, e cuja perpendicularidade vai-se revelado à medida que a narrativa adquire o seu ponto climax.

Sollima inicia com as leis básicas deste já formado cinema de crime, mas aos poucos a distorce transformando os respectivos lugares-comuns em inesperadas saídas que desafiam os conceitos de "neo-noir". No seio destas "reinvenções", temos, por exemplo, uma personagem de encher cenário (Greta Scarano) que vai gradualmente convertendo-se na peça chave de toda a teia concebida, "a lâmina" que corta a principal cabeça da "hidra". Ao mesmo tempo é essa personagem que ligará este exemplar "mob" às suas raízes mais românticas de um Mario Puzzo, provavelmente induzindo o literal romance no esquema.

Assim sendo, o filme apenas perde gás com o seu modelo de episódio-piloto, onde o espectador parece cair em "pantanas" perante os imensos rascunhos. Mas a verdade é que Stefano Sollima irá ser o autor da primeira produção italiana exclusiva da Netflix. E com o quê? Perguntam muito bem vocês. Com uma versão em formado seriado deste mesmo filme. Fora isso, Suburra é uma obra energética e bem atmosférica.

O melhor - a atmosfera, o fecho do circulo narrativo
O pior - a sensação de tudo seguir conforme um episódio-piloto


Hugo Gomes



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