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«Pecore in Erba» (Burning Love) por Duarte Mata

Conforme disse Leonor Teles numa entrevista aquando a sua vitória no Festival de Berlim, "Se vamos falar de coisas sérias, porque não fazê-lo de forma divertida?". Pecore in erba (Burning Love) (anagrama engenhoso para "Matem o judeu" em italiano), primeira obra de Alberto Caviglia, aborda a temática do antissemitismo sob a forma de mockumentary (há até um poster do filme This is Spinal Tap!, o avozinho deste género) que pretende reconstruir, através de uma série de entrevistas e registos forjados, a vida de Leonardo Zuliani, antissemita feito jovem investidor prodígio, autor de bandas-desenhada, romances e cadeias de retalho bem sucedidas que espelham o seu preconceito.

Impressiona o humor, evidentemente satírico, que Caviglia insere, repleto de pormenores que brotam o racismo como o facto de o único reflexo provocado por estímulos nos tendões com martelos serem a saudação hitleriana ou as preferências cinematográficas do protagonista: Lars von Trier e Mel Gibson. Um gag é também um elemento crucial numa reviravolta do enredo que acontecerá muito mais tarde, sendo essa sequência causa-efeito encadeada com o que parece ser o prejuízo reprimido de gerações italianas (Itália, como se sabe, é dos países mais fortemente apegados ao catolicismo que existe), demonstrando a audácia do cineasta e a inteligente noção da utilidade da comédia para abordar os tópicos mais sensíveis.

Divertido, original e, estranhamente, portador de uma mensagem humanista. Faz-se mais com obras assim pelo povo hebraico do que horas de xaropadas simplistas sobre o Holocausto que Hollywood acostumou-se a fazer a partir de meados dos anos 90.

O melhor: O humor negro e o conceito original.
O pior: A ilusão da reportagem televisiva pode levar-lhe a remover parte da carga cinematográfica que contém.


Duarte Mata



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