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«Little From the Fish Shop» (A Pequena da Peixaria) por João Miranda

Hans Christian Andersen foi provavelmente das personagens mais sombrias e deprimentes da História. O seu legado de contos "infantis" é de um negrume tal que é espantoso que persistam tentativas de o adaptar ao cinema. Se podemos acusar os Grimm de brutalidade e violência, o estilo de Andersen é de um pessimismo e um moralismo assustadores. Podemos tentar desculpá-lo pela época em que os escreveu, quando a mortalidade infantil era elevada, mas, ainda assim, para descrever os seus contos como infantis é preciso uma grande dose de boa vontade já que a sua "death count" se aproxima da de um filme de acção dos anos 80. Ainda assim, continua a ser adaptado ao cinema, com leituras que se afastam do original, pesado e antiquado. A Pequena da Peixaria é mais uma dessas tentativas de adaptar o macabro A Pequena Sereia, neste caso tentando ser o mais fiel possível ao original, mas com uma leitura final mais simpática e menos moralista.

Filmada em "stop-motion", a ação do filme é transposta para uma zona de um porto, decadente e suja, com esgotos sistematicamente a despejar pestilência para o mar. Esta mudança implica também um tratamento mais "adulto" da história, com o príncipe a ser substituído por um dono de um clube de strip e com a sereia a ser assediada sexualmente com apenas 16 anos, enquanto faz entregas pela peixaria do pai. Se a história original já é bastante deprimente, o novo contexto em que este filme a introduz só reforça esta sensação. As escolhas estéticas feitas, com cores escuras e pesadas, não ajudam a aliviar o tom do filme.

Por todas as escolhas tomadas, este filme é como uma feijoada num menu de saladas: pesado e indesejado. Podemos argumentar pela qualidade da animação ou da música, como pelo tempero e sabor, mas isso não o vai tornar mais apetecível.

O Melhor: A música; alguns momentos de humor.
O Pior: O tom deprimente.


João Miranda

 



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