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«Genius» (O Editor de Génios) por Paulo Portugal

A história verídica da relação absorvente entre o editor Max Perkins (Colin Firth) e o escritor Thomas Wolf trilha a arriscada jornada de lidar com letras, ideias de romance e, claro, muitas edições e correções. Um filme sobre literatura na era da internet pode se arriscado, mas neste caso, a fita de estreia do realizador, ator e encenador acaba por nos deixar um belo perfume sobre as páginas de papel.

No malfadado ano negro de 1929, Perkins, o homem que nunca tirava o chapéu, encontrará na escrita de Wolf, mais tarde um dos membros Geração Perdida, de quem William Faulkner afirmara ser um dos melhores do século XX, o arrojo dos grandes autores, como Scott Fitzgerald (Guy Pearce), de quem havia ajudado a rever a sua obra e até achar o título mais chamativo, mas também Ernest Hemingway (Dominic West).

No entanto, a criação literária é um tema bastante complexo para tratar em cinema, sublinhado pelo facto de Michael Grandage esboçar aqui a sua primeira obra, embora tivesse igualmente alguma experiência como encenador e ator (ele contracenou até com Daniel Radcliffe). Seja como for, Grandage trilha com grande eficácia esta ligação especial de Wolf com Perkins, a que se soma o facto de poder contar com uma interpretação rasgada de Jude como o atormentado e arrebatado Wolf, que na sua dedicação a Perkins acabou por destruir o romance com a namorada, Aline Bernstein, numa composição competente de Nicole Kidman, que quase se suicida pelo fascículo que o namorado tinha pelo seu editor.

No entanto, será o filme sobre o autor ou o filme sobre o editor? Talvez um pouco de ambos. Se bem que Genius seja baseado na biografia de Perkins, Max Perkins: Editor of Genius.

O melhor: A ideia de ver um filme quer nos faz apetecer devorar um livro a sério.
O pior: O problema habitual da alguma falta de alma nos biopics de época


Paulo Portugal



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