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«Death in Sarajevo» por Paulo Portugal

A peça de teatro de Bernard-Henry Lévy, Hotel Europa, serve de "leitmotiv" ao exorcismo do bósnio Danis Tanovic a auscultar a cicatrização das feridas profundas no território que celebra o assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand, por Gavrilo Princip, considerado o rastilho que serviu de rastilho para a Primeira Guerra Mundial, ao mesmo tempo que ensaia uma luta de classes no hotel que irá receber uma delegação europeia para o centenário desse assassinato. Já de si, Death in Sarajevo apresenta-se como uma proposta algo calórica, ainda que pertinente pelo aggiornamento da conjugação das peças no tabuleiro europeu.

Numa cidade que se prepara para este evento europeu, uma jornalista vai entrevistando cidadãos sérvios e percebendo que há certas coisas que dificilmente mudam, ao passo que um diplomata francês (Jacques Weber) ensaia um discurso que celebra a união europeia. O entanto, o aparente ar festivo é temperado pela tensão que se sente entre a gestão do hotel e os trabalhadores preparados para uma greve reivindicativa durante o dia festivo e a tentativa para encontrar financiamento que também tarde. Isto para já não falar das ações de corrupção nos bastidores. Ou seja, temos aqui uma teia de elementos que criam uma tensão que permite mesmo acordar os ecos do passado. Até que o clique inesperado acontece acabando por afetar todas as variáveis.

Pelo vincado propósito político percebe-se que o filme tenha chegado à "short list" do júri presidido por Meryl Streep e recebido mesmo o Grande Prémio do Júri, para além do prémio Fipresci, concedido pela crítica internacional, para este bósnio de nacionalidade francesa. E não será sequer pelas movimentações da câmara ansiosa de Tanovic pelas diversas divisões do hotel. O problema de Death in Sarajevo é que acaba por reeditar os mesmos factos, as mesmas feridas, sem acrescentar nada de novo. Sendo que o próprio desfecho sabe a pouco.

O melhor: A mobilidade da câmara e a desenvoltura do cast a tratar um tema muito seu

O pior: A constatação de que se esgrimiram muito argumentos válidos, mas que não se mostrou nada de novo


Paulo Portugal



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