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«Genius» (O Editor de Génios) por Roni Nunes

Todos os anos, os trabalhos anglo-saxónicos em competição na Berlinale parecem anomalias numa lista que, mesmo salvaguardando as diferenças das propostas, privilegia o apadrinhamento do cinema de autor. Neste caso, basta comparar o tratamento dado a um assunto literário por Michael Grandage, consagrado no teatro britânico e estreando no cinema, com o do português Ivo Ferreira em Cartas da Guerra. Sem juízo de valores, enquanto num predominam os padrões poéticos, no outro atira-se com garra ao "storytelling", "honra" que, no caso dos britânicos, coube no ano passado a 45 Anos.

O pano de fundo é o panorama literário da América no final dos 20: enquanto a "geração perdida" entrava em parafuso com a crise de criatividade de Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway lançando-se à Espanha à procura de touradas e bandeiras políticas, o editor Max Perkins (Colin Firth), o génio do título, entrava em contato com a prosa vigorosa de Thomas Wolffe (Jude Law).

Distante de futilidades, Genius é um filme bonito, evocando a loucura do processo criativo e a poesia da vida artística (e os seus egocentrismos) através da relação entre um autor febril e um editor sóbrio e inteligente o suficiente para estimular as suas melhores mentes. Além da grande boa notícia de que Colin Firth NÃO parece Colin Firth, Grandage vale-se de um trabalho de câmara com pretensão notória de dinamismo para fugir as suas origens, embora seja um filme centrado essencialmente em diálogos. Pelo meio, não escapa a alguns clichés, mas no todo é emotivo e interessante.

O Melhor: emociona e fala de livros, escritores, artistas
O Pior: os clichés do génio obsessivo


Roni Nunes



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