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«Soy Nero» por Paulo Portugal

Uma vez mais, Rafi Pitts dá-nos um registo de uma América desenraizada, cercada pelos seus medos, presa nas suas idiossincrasias. No caso, os emigrantes que encaram o exército como uma forma de ganhar o "green card". Conforme nos confidenciou um colega mexicano, serão cerca de 500 mil aqueles que integram o que se designou como Dream Act (acrónimo para Development, Relief, and Education for Alien Minors), o programa de emigração que aguarda aprovação, designado para os menores não nascidos nos EUA, mas que ali vivem desde crianças. Mas também para aqueles que podem obter o "green card" ao entrar no serviço militar, embora muitos deles acabassem por ser posteriormente deportados depois de cumprir o serviço militar. Este filme é também sobre isso.

O mexicano Nero (Johnny Ortiz) quer fazer como o irmão e combater pelos EUA. E nem o facto de se acabar de despedir dele, tombado em combate, o demove da sua determinação. Apesar de tudo, Nero irá embater com a desconfiança radical que cerca a América e que o encerrará num estatuto de irremediavelmente "outsider" ao longo do seu caminho até ao encontro insólito com o irmão Jesus Maldonado numa mansão em Berverly Hills. Só que na América as coisas raramente são o que parecem, o que motivará uma descoberta interior de Nero.

Será já com o uniforme dos marines, colocado ironicamente em 'no man's land', curiosamente, a guardar um posto avançado no terreno desértico do que parece ser o Médio Oriente, que o filme avança para cumprir o seu propósito de ilustrar essa miragem de servir a bandeira americana como passaporte para a cidadania.

Na conferência de imprensa que sucedeu à projeção, Pitts confessou essa sua simpatia por fronteiras. "Sempre gostei de fronteiras", disse. "Talvez por pertencer a uma família multinacional, a minha mãe é iraniana, o meu pai inglês". Mas é verdade que muitas pessoas preferem estar na fronteira das coisas.

A verdade é que neste filme todos acabam por estar perto de numa fronteira, graças às barreiras do histerismo vigente desde que entramos no século XXI, onde os próprios americanos brancos não escapam.

Captado com as imagens vívidas da câmara do diretor de fotografia grego Christos Karamanis, Soy Nero faz-nos levantar o sobrolho e mesmo sem ser um grande filme, deixa-nos uma sensação suficientemente incómoda que merece a nossa atenção, bem como a sua presença na competição e até a possibilidade de prémios.

O melhor: A atitude da representação naturalística de Johnny Ortiz
O pior: O desânimo que nos deixa a derradeira imagem do filme a mostrar que pouco (ou nada) mudou


Paulo Portugal



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