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«The Yard» (Yarden) por Roni Nunes

O ponto mais baixo da vida de um intelectual que um dia acreditou ser artista é um dia fazer uma sessão de poesia para um público de seis mulheres de meia-idade que foram ali parar por acaso e não demonstram qualquer interesse na sua leitura hesitante de poemas. O protagonista sem nome (vivido por Anders Mossling) percebe o sinal e aceita-o: depois de ver que a "poesia moderna" (muito difícil de vender, diz-lhe um editor) não o levou a lado nenhum, ele atira-se estoicamente a um trabalho de fábrica, cuja desumanização é simbolizada pelo parque com milhares de carros iguais que dá nome ao filme e pelo facto das personagens não terem nomes – mas antes os números de empregado.

A personagem central carrega a sina do fracasso, estampado no diálogo que tem com o filho adolescente (a figura materna está ausente) onde este lhe diz, dianta da penúria progressiva, que ele "escreve livros que ninguém lê e nem um emprego para imigrantes consegue manter".

Por falar em trabalho de fábrica, o filme do sueco Mans Mansson peca por isso mesmo, fazendo com eficácia aquilo que se propõe na senda de uma forte tendência do cinema europeu atual mas sem apresentar grande imaginação (ainda que existam duas ou três soluções visuais interessantes). A ideia é convincente – a execução peca por falta de maiores voos de emoção ou inventividade.

Sinal dos tempos, é curioso relacionar a abordagem com, por exemplo, de Tempos Modernos, onde Charles Chaplin tratava da robotização dos seres humanos nas fábricas cheio de esperança. Yarden apresenta uma sociedade sem hipóteses e condenada a desfazer-se nas cinzas do seu próprio caminho.

O Melhor: o filme é eficiente naquilo que se propõe
O Pior: faltam maiores rasgos de emoção ou inventividade


Roni Nunes



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