Menu
RSS


«Knock Knock - Perigosas Tentações» por Hugo Gomes

Foi numa noite tempestuosa quando duas beldades bateram à parta de Evan Webber (Keanu Reeves), um devoto esposo e pai de família, pedindo auxilio e abrigo. Para Webber, o difícil foi dizer que não, vergado pelo espírito solidário, mas também de macho dominante que aproveita a situação para seu perfeito jubilo. Contudo, esta decisão trará consigo consequências inimagináveis.

Curiosamente, Knock Knock, a refilmagem do quase desconhecido Death Game, de Peter S. Traynor, arranca como uma fantasia masculina para dar lugar a uma "home invasion" com mais tendências à vaga fermentada por Funny Games, de Michael Haneke, do que propriamente com a matéria original datada de 1977. Eli Roth demonstra mais uma vez que é um conhecedor das matrizes e códigos do género de terror, uma evidência vistosa com as claras reviravoltas que uma intriga aparentemente simples converte-se.

Porém, o realizador exibe outro dote, o da ousadia. É que esta invasão doméstica, claramente doseada com um certo humor negro, é instalada como uma alusão social em defesa dos homens enquanto seres facilmente puníveis pelo sistema de justiça e pelo senso comum. Isso, rebeldia em pessoa, frente a uma imensa onda politicamente correta e a crescente preocupação por parte do cinema norte-americano em dar voz à luta pela igualdade social das mulheres. Nesse sentido, Roth parece ter aprendido com David Slade e o seu curioso - mas não suficientemente capaz - Hard Candy. Mesmo com análises críticas por parte de um realizador que está pouco "marimbando" para opiniões alheias, Knock Knock sustém por influências dignamente trash, nunca cedendo ao espectáculo sério que os grandes estúdios tentam a todo o custo lançar, nem com aspirações para ser o próximo "big thing" do género, tal como fora, por exemplo, o seu díptico Hostel.

Por outro lado, há que aplaudir Roth de conseguir, num só filme, extrair em Keanu Reeves expressividades raramente vistas no cinema por parte deste. É óbvio que a estrela de Matrix não nos brinda com um desempenho digno de Óscar ou de um registo pintado sob tinta permanente, porém, funciona na perfeição como a representação masculina requisitada para o filme.

O melhor - as sugestões sociais e críticas invocadas neste home invasion
O pior - ser assumidamente um remake 


Hugo Gomes



Deixe um comentário

voltar ao topo

Contactos

Quem Somos

Segue-nos