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«A Toca do Lobo» por João Miranda

As famílias nem sempre funcionam. Muitas vezes não conseguem sobreviver a experiências fraturantes e acabam mesmo por se partir em estilhaços, grupos ou indivíduos que têm toda uma narrativa sobre como isso aconteceu e que justifica as suas posições. A partir de um álbum de fotografias e de um vídeo de família, Catarina Mourão lança-se numa investigação sobre a sua família, especificamente o seu avô materno.

A tentativa de recolha de mais fragmentos numa relação que, apesar da passagem dos anos, continua ainda sensível, lembra o processo terapêutico. Este sentimento acaba por se reforçar pelo seu tom intimista, pela escala da investigação empreendida e pelos resultados obtidos. Se procuramos aqui alguma grande verdade que se possa aplicar de forma abstrata a qualquer família, não a vamos encontrar. O que não quer dizer que o filme não tenha interesse para outras pessoas. Todo o percurso, tanto da realizadora como da mãe, são fascinantes e a sua candura, tocante.

Construído essencialmente de imagens de arquivo, a forma como estas são apresentadas nem sempre é a mais comum, com a realizadora a procurar mostrar sobreposições, reações e até ausências. Todo o exercício poderia ser demasiado seco, mas a sensibilidade e o sentimento que são introduzidos, quer pela voz off da cineasta, quer pelo discurso da mãe dela, transformam o filme em algo mais: um documentário emocional e emocionante.

O Melhor: A emoção.
O Pior: O Ritmo nem sempre é constante.


João Miranda



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