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«Short Skin» (Idade à Flor da Pele) por Roni Nunes

A sinopse de um filme que mencione adolescentes na praia a tentar perder a virgindade pode pôr qualquer espírito sensato em fuga. Não é caso para tanto: o realizador Duccio Chiarini faz uma abordagem inusitada de temas muito banalizados e que, frequentemente, servem de veículo para a parvalheira generalizada. Em Short Skin tem-se alguma dimensão maior no tratamento de questões como a pressão social sobre os jovens do sexo masculino, a relação entre amor e sexualidade e, claro, a sua descoberta.

Também será igualmente singular o drama central do protagonista: é que, além de ser bastante tímido e introvertido, o seu mal-estar também é físico, pois sofre de fimose. Assim, o seu conflito gira em torno de terrores diversos – desde as histórias sobre como se faz uma cirurgia (e o que se faz nela) até tentativas desesperadas (algumas cómicas) de contornar o problema.

Para agravar o seu estado, vá-se lá saber como,  duas meninas não ligam nem à sua feiura nem ao seu corpo esquálido e subtilmente o disputam. Aliás, a aparência das personagens é outra busca consciente do cineasta em questionar tabus e modelos de beleza e comportamento.

Chiarini investe ainda numas tantas ousadias visuais, com cenas de carácter explícito, ao mesmo tempo que vai equilibrando drama e comédia. Fica claro que a aposta dele foi toda na desconstrução de estereótipos e, fora do que consegue fazer com alguma profundidade, o resto contraria as suas especulações e traz situações e soluções mais rotineiras.

O Melhor: a proposta do filme ao debruçar-se sobre temas tabus
O Pior: mais interessante na pretensão temática do que no resultado final, com soluções demasiado banais


Roni Nunes
(Crítica originalmente escrita em abril de 2015)



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