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«Godzilla» por Jorge Pereira

Talvez um dos maiores desafios desta nova aparição de Godzilla no cinema é escrever sobre ela sem revelar o seu maior trunfo: o poder de surpreender. E falamos não só do seu enredo, mas também da importância que cada personagem tem para o filme. Nesse aspeto, se os grandes conhecedores da saga até podem estar preparados para o que vão ver, a verdade é que aqueles (o publico em geral) que conhecem a criatura apenas pela versão de Roland Emmerich ou que ouviram falar genericamente sobre ela certamente vão surpreender-se com o rumo da história.

Depois de uns créditos que nos situam em relação a Gojira, com referências ao que ocorreu no passado, o filme começa propriamente nas Filipinas, numa espécie de prólogo à Jurassic Park, sendo apresentadas algumas personagens e o pano de fundo para os eventos que vamos acompanhar 15 anos depois.

Tecnicamente este é um filme, como se esperaria, acima da média, com Gareth Edwards a lidar com outro tipo de monstros depois do seu bem sucedido Monsters – Zona Interdita. Se nesse filme de baixo orçamento o cineasta usava e abusava de elementos visualmente poéticos, intimistas e contemplativos muito orientados em torno das suas duas personagens humanas, até porque o orçamento era demasiado curto para grandes investidas além disso, aqui o cineasta vai noutro sentido e aplica-se em especial em torno da ação, do gigantismo das criaturas e da consequente destruição, recorrendo frequentemente aos planos de conjunto para dar uma dimensão épica a tudo.

Aliada a esta espetacularidade inegável dos efeitos visuais (e sonoros, já agora), Edwards aplica ao filme um intenso ritmo, ainda que inevitavelmente, e com objetivos contidos de dramatismo, existam momentos mais emocionais e parados em torno das personagens interpretadas por Bryan Cranston, Aaron Johnson e Elizabeth Olson. Neste aspeto, o das relações, Godzilla parece não se interessar muito por elas, sendo aqui as interações meramente formais para que possamos sofrer minimamente com as personagens. Aliás, bem vistas as coisas, os humanos por aqui variam entre a quase figuração e as personagens secundárias: Julliette Binoche, Ken Watanabe, David Strathairn e Sally Hawkins são meros adereços e Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen e Bryan Cranston têm personagens com mais tempo de antena e com as quais criamos mais empatia mas que nunca excedem o que as rodeia. Se isto até pode dar uma ideia de que estamos perante personagens humanas demasiado superficiais ou pouco trabalhadas, que o são, a verdade é que Edwards parece tentar evitar desequilíbrios no ritmo e intensidade dos eventos, com particular destaque para os momentos em que ação sai do Japão para o Havai e daqui para o Nevada, culminando finalmente em São Francisco, local em que decorre o energético desenlace e onde os truques de combate do gigantesco lagarto revelam-se fabulosos.

E já que falamos deste, realmente dá a sensação que Gojira está com uns quilinhos a mais [ler notícia], mas a sua força, poder e até o seu "rugido" impõem respeito a qualquer rival. Isto para dizer que Gojira, a criatura, surge melhor que nunca, quer em termos concetuais do enredo, quer em termos visuais como monstro feroz que já vem desde os anos 50. 

No todo, e sublinhando, estamos assim perante um filme que centra toda a sua atenção no lado da espectacular da ação e das suas criaturas, fugindo do dramatismo e até de interesse pelos humanos, com todas as vantagens e desvantagens inerentes.

O Melhor: É um thriller de ação intenso com um desenlace épico
O Pior: Demasiadas personagens que servem apenas como adereços o que consequentemente trás problemas do ponto de vista emocional e de ligação do espectador ao filme. Algumas sequências em 3D que nitidamente não funcionam por serem conversões


Jorge Pereira



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