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«Glória» por Carla Calheiros

Não são muito comuns os filmes que abordam o amor e a sexualidade nas mulheres com mais de 50 anos. Quando os há geralmente dão-nos o retrato do conto de fadas em que uma mulher solitária pode encontrar o amor

Gloria é uma mulher sozinha na casa dos cinquenta. Ao invés de viver amargurada com a solidão, é uma mulher bem resolvida que vai procurando companhia em bailes para os seniores. Em poucos minutos conhecemos rapidamente a rotina desta mulher: dois filhos adultos sem grande tempo para ela, um emprego rotineiro e, claro, a solidão intercalada pelos referidos bailes e pela visita do gato do seu problemático vizinho de cima, que insiste em refugiar-se em sua casa.

A vida de Gloria parece mudar quando conhece Rodolfo (Sérgio Hernandez), um homem separado mas pouco (sustenta a ex-mulher e duas filhas adultas) com quem inicia uma relação. No entanto, ele está menos bem resolvido e seguro do que ela para assumir simplesmente uma relação.

E o filme pouco mais é do que isto, sem os clichés habituais das separações dolorosas, doenças ou até dramas postos à pressão para criar empatia com o público. Mas aqui nada disso é necessário, Gloria por si só cria suficiente ternura para que não tenhamos de ter artificialidades para "torcer por ela". E isto deve muito ao trabalho de Paulina Garcia, que nos mostra Gloria como uma mulher simples e sem o estereótipo "cougar", mas interessante e segura por si só, em que a seguimosnuma espécie de reality show que no final nos deixa com vontade de ver mais.

Realizado por Sebastian Lelio, o filme foi o candidato chileno ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Embora não tivesse chegado à seleção final, arrecadou alguns prémios internacionais com especial destaque para o Urso de Prata que distinguiu Paulina Garcia como melhor atriz no Festival de Berlim. E nesta parceria que reside a força do filme Lelio demonstra extrema afeição e respeito por Gloria, mesmo nas cenas de maior vulnerabilidade e exposição física, e a atriz presenteia-o com uma atuação brilhante. 

O melhor: Paulina Garcia.
O pior: Passa despercebido, e é pena


Carla Calheiros



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