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«Nebraska» por André Gonçalves

Acredito que Alexander Payne goste mesmo da América que tanto retrata de forma tão cínica e de forma tão contínua, isso não está em causa.

Há no entanto que questionar, após uma sequência já longa de "filmes de estrada" (de About Schmidt a este, passaram-se quatro longas-metragens, caramba!), o que há mais para contar que não esteja já pisado e repisado. Não há nada aqui neste pedestre, se bem-intencionado Nebraska, sobre um velhote da terrinha que pensa ter ganho um milhão de dólares, que não tenha sido testemunhado em filmes anteriores, por muita humanidade que se queira aqui espelhar.

Tentei pensar um pouco no último filme de Payne (Os Descendentes) nas últimas horas, e confesso que o pouco que me reteve ao longo do último par de anos e um único visionamento, tirando o facto de George Clooney ter uma adolescente algo rebelde, e pelo meio aparecer uma zaragata/batatada familiar qualquer. Pois bem, aqui temos novamente zaragata, novamente envolvendo familiares algo pacóvios.

Apesar de tudo, Nebraska distancia-se um pouco mais pela positiva que os dois filmes anteriores do realizador e argumentista supostamente rebelde (já o foi, lembre-se Election e Citizen Ruth!) caído nas graças académicas. Primeiro pelo trabalho de cinematografia "à séria" - leia-se: a preto e branco - e depois porque há aqui uma personagem que calha ser o escape perfeito para o espectador mais cínico (ironia das ironias) com os procedimentos em redor, e que questiona ativamente a sanidade mental de toda a gente em redor - é precisamente a personagem da mulher de Woody, encarnada muitíssimo bem pela veterana June Squibb. É isto que vou reter quando estiver para me lembrar do filme daqui a uns 2 ou 3 anos. Chamem-me o cínico dos cínicos, mas mais uma vez - já a terceira consecutiva com o Sr. Payne - mantive a minha armadura emocional relativamente intacta.

Uma pena, porque em tempos fui mesmo fã deste homem. Agora, simplesmente moverei o seu próximo filme para um lugar menos prioritário na fila, independentemente de ser (ou sobretudo se for?) um dos nomeados ao Oscar para Melhor Filme...

 

O melhor: Kate Grant/June Squibb

O pior: O comodismo constante de Payne. 

 

André Gonçalves



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