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«Jeune et Jolie» (Jovem e Bela) por Roni Nunes

Dizem os psicanalistas que nos tempos que correm o homem ocidental já não é capaz de identificar qual é o seu desejo. A sentença bem serve para a jovem e bela Isabelle (Marine Vacth), que por alguma daquelas anomalias genético/espirituais e a despeito de ter uma mãe afetuosa, chegou à adolescência sem encontrar algo que lhe dê realmente um motivo para viver. Isso até descobrir as maravilhas da prostituição...

A história dessa "bela da tarde" pós-moderna de François Ozon trafega em duas vertentes. Numa delas está a construção psicológica e existencial de uma adolescente pouco apta a sentir e que só encontra no comércio do próprio corpo, mais do que no ato sexual em si, a única forma de satisfação.

Em segundo lugar estão as consequências concretas das suas escolhas, às voltas com a polícia e na forma como a evolução dos acontecimentos a coloca em rota de colisão com a família. Esta, formada pela mãe, pelo irmão mais novo e pelo padrasto, dificilmente escapa ao seu olhar progressivamente cínico – traçando o velho arquétipo (em termos de cinema) da hipocrisia burguesa.

A inspiração com que Ozon filma esse jogo de cartas marcadas, tão ao seu gosto, nem de longe o eleva à genialidade de Dentro de Casa, o seu filme anterior. É sempre um risco escolher essa forma, onde a sexualidade explícita pouco acrescenta, para mostrar a cada vez mais notória perda de referências no mundo atual. Como tantos outros trabalhos que optaram por esse caminho, Jeune et Jolie não escapa a um resultado que, entre o amorfo e o banal, atola-se no típico lodo do vazio pós-moderno. E isso não é um mérito.

O Melhor: as subtilezas narrativas de Ozon têm sempre o seu mérito
O Pior: a banalidade intrínseca


Roni Nunes 

(Crítica originalmente escrita em outubro de 2013)



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